Coluna do Jota Garcia

Brasil enviará alimentos e insumos agrícolas a Cuba em programa de cooperação

Uma senhora olha para seu celular em uma rua de Havana em 23 de fevereiro de 2026. | Crédito: Foto de YAMIL LAGE / AFP
Ajuda ocorre em meio a novas sanções dos Estados Unidos contra a ilha

O Governo do Brasil anunciou que enviará, ainda nesta semana, alimentos e insumos para a produção agrícola em Cuba. A iniciativa integra um programa de cooperação bilateral entre os dois países.

O anúncio ocorreu durante a 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe. O evento começou na segunda-feira (2), em Brasília.

Durante a conferência, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, explicou como funcionará a ajuda.

Segundo ele, o governo comprará os insumos no Brasil. Depois disso, enviará os produtos para Cuba.

“O Brasil vai enviar, nesta semana, uma ajuda a Cuba para a compra de insumos destinados à produção agrícola. Essa compra será feita no Brasil. Nós vamos disponibilizar os recursos. Também enviaremos alimentos a Cuba”, afirmou o ministro à agência Prensa Latina.

Cooperação será coordenada pelo Itamaraty

A ajuda integra um programa coordenado pela Agência Brasileira de Cooperação. O órgão é vinculado ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

Foto: Reprodução

Além disso, o envio ocorre em meio ao aumento da pressão econômica sobre Cuba. Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva com novas ameaças de sanções.

A medida prevê punições contra países que vendam ou forneçam petróleo à ilha, direta ou indiretamente.

De acordo com o coordenador residente da Organização das Nações Unidas em Cuba, Francisco Pichón, a escassez de combustíveis se tornou um fator central da crise humanitária.

Segundo ele, a falta de energia ampliou os riscos sociais e agravou a situação econômica da ilha.

Lula critica sanções e manifesta apoio a Cuba

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as medidas adotadas pelos Estados Unidos.

No dia 7 de fevereiro, durante o aniversário de 46 anos do Partido dos Trabalhadores, em Salvador, Lula falou sobre o tema.

Na ocasião, ele afirmou que Cuba enfrenta um “massacre alimentado pela especulação americana”.

Além disso, o presidente reiterou a solidariedade do Brasil ao povo cubano.

“Nosso país se solidariza com o povo cubano. E nós, como partido, temos que encontrar maneiras de ajudar”, afirmou.

Movimentos sociais também enviaram ajuda

Além da cooperação oficial, organizações sociais brasileiras iniciaram campanhas de solidariedade.

A Campanha de Solidariedade com Cuba enviou recentemente um carregamento com 1.700 quilos de medicamentos. Os produtos foram destinados a hospitais da província de Santiago de Cuba.

A região sofreu impactos do furacão Melissa.

Segundo os organizadores, a iniciativa responde à escassez provocada pelo bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas.

Além disso, novas sanções no setor energético agravaram o cenário.

Brasil já havia enviado doações anteriormente

No final do ano passado, o governo brasileiro também enviou ajuda humanitária a Cuba.

A doação incluiu dez toneladas de alimentos desidratados, 50 purificadores de água e kits de medicamentos.

Imagem: shutterstock

A ajuda buscou apoiar comunidades afetadas pelo furacão Melissa, que atingiu o leste da ilha com categoria três na escala Saffir-Simpson.

Segundo estimativas, mais de 5.500 pessoas receberam assistência nas províncias orientais do país.

Na ocasião, o embaixador do Brasil em Havana, Christian Vargas, destacou o fortalecimento da cooperação entre os dois países.

Segundo ele, desde 2023 o Brasil relançou mais de dez projetos de cooperação técnica com Cuba.

Esses projetos envolvem áreas como saúde, educação e produção agrícola.

Países latino-americanos ampliam apoio

Com o novo envio anunciado, o Brasil se soma a outros países da região que ampliaram ajuda à ilha.

Recentemente, o governo da presidenta Claudia Sheinbaum também enviou assistência humanitária.

Primeiro, o México mandou 800 toneladas de alimentos. Depois disso, dois navios da Marinha mexicana chegaram a Havana no sábado (28).

A nova remessa trouxe 1.200 toneladas de alimentos e mais 23 toneladas arrecadadas por organizações sociais com apoio do governo da Cidade do México.

Sheinbaum classificou como “muito injusta” a tentativa dos Estados Unidos de impor tarifas contra países que exportem petróleo para Cuba.

Segundo ela, o México continuará enviando ajuda humanitária.

Ao mesmo tempo, o governo mexicano pretende realizar ações diplomáticas para restabelecer o envio de petróleo à ilha.

“Não se pode estrangular um povo assim”, afirmou a presidenta.

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