A trairagem política

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O Blog do Pávulo nunca recebeu um real da PMM, porque não prestou serviço.

Cuidado, na eleição passada recebemos três áudios…Não force a barra…

Ah, continuamos destemidos, usando suas palavras.

A falta de coerência e de fidelidade são razão de o povo já andar cansado

Primeiro, vamos ao entendimento do que seja trairagem. De acordo com dicionários da língua portuguesa trairagem tem significados diversos, incluindo traição, safadeza, quebra de acordo ou contrato, sacanagem, falsidade, pessoa traiçoeira, mau caráter e outros derivados desta relação.

Existe até mesmo a música trairagem da dupla sertaneja Teodoro e Sampaio, que bem poderia ser hino oficial de nossas eleições, bastando apenas adapta-la para o contexto políico-eleitoral.

A origem da trairagem política e eleitoral decorre do fato de que os partidos políticos no Brasil, mesmo os que se julgam com um grande capital ideológico e ético, são muito mais instâncias burocráticas para registro de candidaturas e uso do fundo partidário do que propriamente uma entidade com credibilidade pública, programa, doutrina/ideologia e coerência.

Costuma-se dizer que todos os partidos, inclusive os chamados nanicos, tem seus donos em todos os níveis: municipal, estadual e nacional e seus caciques usam e abusam dos partidos e do poder que decorre de sua organização muito mais para negociarem e defenderem seus interesses ou dos grupos que dividem tais organizações, inclusive econômicos e financeiros, tempo de TV e de propaganda eleitoral obrigatória, e, claro, decidir quem deve, pode ou não ser candidato e também participar do leilão dos cargos administrativos.

A falta de coerência e de fidelidade são as normas básicas, razão de o povo já andar cansado do troca-troca partidário, de candidatos e alianças incoerentes.

Quando a luta interna ou a busca por espaço se agrava, um cacique ou candidato a tal, juntamente com seus seguidores não titubeiam em deixar o partido pelo qual foram eleitos ou estão filiados há anos ou décadas e organizam um novo partido.

Durante o regime militar, houve um esforço para a consolidação do bipartidarismo no Brasil seguindo modelo de alguns países, considerados democráticos, onde só existem dois partidos, o do governo e da oposição, mas com real possibilidade de alternância no poder.

Como acontece nos EUA, na Inglaterra, no Canadá, diferente do que ocorre em países dirigidos por ditaduras civis, militares ou populistas, onde mesmo havendo um partido de oposição, este jamais conseguirá chegar ao poder.

Voltando à trairagem política e eleitoral, ela decorre e acontece neste quadro de fragilidade dos partidos e a supervalorização de seus dirigentes, caciques e donos em detrimento da organização partidária.

Quem não se afina com a cartilha da cúpula partidária acaba sendo excluído, mesmo quando se trata de políticos com certo nível de poder e influência.

As atuais alianças ou coligações, a começar pela chamada base de sustentação do Governo do PT, iniciado com Lula e continuando com Dilma, é o exemplo típico deste ajuntamento incoerente e oportunista.

Fazem parte do mesmo desde os partidos comunistas, socialistas, trabalhistas até os que sempre foram considerados pela esquerda como conservadores ou direitistas, como os malufistas, latifundiários, useineiros e atualmente os barões do agronegócio.

É difícil entender uma aliança entre latifundiários e o MST, entre banqueiros e a populaça, entre corruptos e virgens éticas na política, entre grandes empresários capitalistas e organizações sindicais de trabalhadores ou entender como alguns setores deste ajuntamento defendem a aplicação da Lei da Ficha Limpa para adversários e escondem os corruptos que fazem parte do governo.

Neste contexto, a trairagem política é apenas um complemento a mais da demagogia, da corrupção, da mentira, do oportunismo, incluindo também a falta de um projeto de desenvolvimento para o país, os estados e os municípios e em seu lugar surgem os diferentes projetos de poder.

O importante é a conquista ou manutenção do poder, para usa-lo a seu bel prazer e para aparelharem o Estado e continuarem usufruindo de suas benesses.

Por isso, vivemos em uma democracia de fachada.

JUACY DA SILVA é professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em Sociologia.
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