Coluna do Jota Garcia

Acordo com o Irã acabou, diz Trump após novos ataques contra bases dos EUA

Imaagem: Redes sociais
Teerã lançou drones e mísseis contra alvos americanos no golfo Pérsico após bombardeio dos EUA contra instalações iranianas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8) que o acordo de cessar-fogo entre Washington e Teerã “acabou”.

A declaração ocorreu após ataques retaliatórios do Irã contra alvos americanos em países do golfo Pérsico.

A nova escalada no Oriente Médio elevou a tensão nos mercados internacionais.

Com isso, o petróleo Brent subiu 5%.

Além disso, Bolsas da Ásia e da Europa registraram queda diante do temor de ampliação do conflito.

Trump diz que acordo virou “perda de tempo”

Trump fez a declaração ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, durante a cúpula da aliança militar ocidental em Ancara, na Turquia.

“No que me diz respeito, é só uma perda de tempo lidar com eles [iranianos]. Eles são mentirosos, há algo errado com eles. Eles são loucos. Até onde sei, acabou [o acordo]”, afirmou o presidente americano.

Depois, Trump disse que poderá bombardear novamente o Irã “nesta noite”.

No entanto, o presidente também deixou aberta a possibilidade de retomar negociações.

“Eu vou falar com nossos negociadores. Eles querem negociar, são boas pessoas, [os enviados americanos] Steve Witkoff, Jared Kushner, mas eles têm de falar comigo”, completou.

Mesmo assim, Trump voltou a atacar os iranianos e classificou os rivais como “doentes”, “perversos” e “violentos”.

Crise começou após ataque a petroleiros

A escalada ocorreu após uma nova rodada de violência entre Estados Unidos e Irã.

Os dois países haviam assinado uma trégua de 60 dias a partir de 17 de junho.

No entanto, nesta semana, o Irã atingiu três petroleiros que cruzavam o estreito de Hormuz.

Com isso, Teerã violou a promessa de manter livre a navegação na região estratégica.

O estreito de Hormuz é uma das rotas mais sensíveis do comércio internacional de petróleo.

Por isso, qualquer instabilidade na área tende a pressionar os preços globais da commodity.

EUA responderam com bombardeio

Na noite de terça-feira (7) para quarta-feira (8), os Estados Unidos responderam com o bombardeio mais duro desde a implementação do memorando de entendimento com Teerã.

O acordo havia encerrado temporariamente a guerra lançada pelos EUA e por Israel contra a teocracia iraniana.

O conflito durou cinco semanas, a partir do fim de fevereiro.

Segundo as informações disponíveis, os americanos alvejaram 60 alvos em regiões costeiras associadas às atividades militares do Irã no estreito de Hormuz.

Guarda Revolucionária atacou bases americanas

Em resposta, a Guarda Revolucionária lançou mísseis e drones contra instalações americanas no Bahrein e no Kuwait.

Segundo a unidade de elite iraniana, os ataques no Bahrein miraram bases dos EUA em Bandar Salman e o Quinto Distrito Naval americano.

No Kuwait, o alvo foi a base Ali al Salem.

Ainda de acordo com os iranianos, um drone americano MQ-9 Reaper foi derrubado.

Golfo Pérsico volta ao centro da tensão

Os países do golfo Pérsico já haviam sido os alvos mais visíveis da campanha retaliatória iraniana durante a guerra.

Naquele período, as ações contra Israel foram compartilhadas por Teerã com aliados do Hezbollah libanês.

Isso levou Israel a realizar ataques pesados contra o Líbano.

Atualmente, o governo de Binyamin Netanyahu ocupa uma faixa no sul libanês.

Para formalizar essa presença, Israel assinou um memorando com o governo de Beirute.

O governo libanês também defende o desarmamento do Hezbollah.

Otan apoia reação americana

Em Ancara, a Otan manifestou solidariedade a Trump.

A posição ocorreu apesar das críticas frequentes do presidente americano à aliança militar.

Mark Rutte classificou os ataques americanos como “absolutamente necessários”.

“Ao ter um cessar-fogo e o Irã está basicamente violando o cessar-fogo, acho totalmente crucial que os EUA reajam com força”, afirmou.

Por outro lado, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, lamentou a nova escalada.

Segundo ela, os ataques de lado a lado dificultam a normalização da situação no Oriente Médio.

Irã diz que acordo não está valendo

Do lado iraniano, o discurso é de desafio.

A chancelaria do país afirmou que o acordo com os Estados Unidos não está valendo.

O governo iraniano também reclamou dos ataques americanos, da continuidade das ações de Israel no Líbano e da decisão dos EUA de revogar a licença temporária para venda de petróleo iraniano.

Essa licença fazia parte do memorando firmado entre os dois países.

“A responsabilidade pelas perigosas consequências desta escalada de tensões é do regime renegado americano”, afirmou a chancelaria iraniana, em nota.

Parlamento iraniano adota tom duro

O principal negociador iraniano, Mohammad Baghaer Ghalibaf, também repetiu o tom de confronto.

Ghalibaf, que preside o parlamento do Irã, publicou mensagem no X durante as cerimônias fúnebres de Ali Khamenei.

O líder supremo iraniano morreu no primeiro dia da guerra.

“A era de intimidação e extorsão acabou”, escreveu Ghalibaf.

Em seguida, acrescentou: “Não vamos ceder.”

Cidades e ilhas iranianas foram atingidas

Segundo a mídia iraniana, os ataques atingiram as cidades portuárias de Sirik e Bandar Abbas.

A ilha de Qeshm também teria sido alvo.

As três áreas são usadas pela Guarda Revolucionária no estreito de Hormuz.

Além disso, houve relatos de explosões em Kharg.

Antes da guerra, a ilha concentrava a saída de quase todo o petróleo cru do Irã.

Os Estados Unidos, porém, não confirmaram ação nesse local.

Até o momento, não há informações sobre feridos.

Conflito ameaça ampliar instabilidade regional

A nova troca de ataques coloca em risco o cessar-fogo firmado em junho.

Além disso, reacende temores sobre uma guerra mais ampla no Oriente Médio.

O impasse envolve interesses militares, petróleo, rotas marítimas, Israel, países do golfo Pérsico e a relação entre Washington e Teerã.

Enquanto Trump afirma que o acordo acabou, o Irã diz que a responsabilidade pela escalada é dos Estados Unidos.

Assim, a crise entra em uma nova fase, com risco de novos bombardeios e impactos diretos sobre o mercado global de energia.

Leia mais 🔗