Coluna do Jota Garcia

André Mendonça autoriza PF a investigar repasses para filme sobre Jair Bolsonaro

Jim Caviezel como Jair Bolsonaro em cartaz de 'Dark Horse', filme de Cyrus Nowrasteh sobre o ex-presidente - Reprodução

Inquérito apurará o destino de recursos ligados a Daniel Vorcaro; Flávio Bolsonaro afirma que o dinheiro financiaria exclusivamente a produção.

Brasília – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a abrir um inquérito sobre os repasses destinados ao filme “Dark Horse”.

A produção retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A investigação analisará recursos ligados a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, pediu dinheiro ao ex-banqueiro sob a justificativa de financiar o longa-metragem.

A abertura do inquérito não confirma irregularidades nem significa uma condenação dos envolvidos.

PGR apoiou investigação solicitada pela PF

Antes de tomar a decisão, André Mendonça pediu um parecer ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Foto: Reprodução

A Polícia Federal havia solicitado autorização para investigar as movimentações financeiras. Após analisar o material, Gonet considerou que existiam elementos suficientes para a abertura formal do inquérito.

A investigação ficará sob a responsabilidade da Diretoria de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (23).

PF investigará destino dos recursos

A PF pretende verificar se todo o dinheiro enviado ao exterior financiou efetivamente a produção cinematográfica.

Além disso, os investigadores querem saber se parte dos recursos custeou despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Outra linha de apuração analisa se o dinheiro financiou ações de aliados do ex-presidente junto ao governo de Donald Trump.

Segundo as informações reunidas pela investigação, uma empresa ligada a Vorcaro teria transferido os recursos para um fundo sediado no Texas.

Flávio Bolsonaro afirma que os aportes seguiram para um fundo específico do filme, submetido às regras e à fiscalização dos Estados Unidos.

Flávio nega irregularidades

Flávio ainda não havia comentado a autorização de Mendonça até a última atualização da reportagem. Entretanto, o senador já negou qualquer irregularidade anteriormente.

Segundo ele, a negociação envolveu dinheiro privado destinado a uma produção privada, sem recursos públicos ou incentivos da Lei Rouanet.

Flávio também negou ter oferecido vantagens a Vorcaro em troca do financiamento.

Diálogos divulgados pelo site The Intercept Brasil mostram o senador cobrando recursos do ex-banqueiro para concluir o filme. A existência das mensagens recebeu confirmação de uma fonte ligada à investigação.

Eduardo Bolsonaro nega ter recebido dinheiro

Eduardo Bolsonaro também negou que os recursos tenham custeado sua permanência nos Estados Unidos.

Em maio, ele classificou a suspeita da PF como “tosca”. Além disso, afirmou ter explicado às autoridades americanas a origem de seus recursos.

Segundo Eduardo, sua participação limitou-se à cessão dos direitos de imagem. Ele também negou ter exercido função administrativa ou trabalhado para o fundo relacionado à produção.

Produtora diz colaborar com investigação

A Go Up Entertainment, responsável pelo filme, afirmou que recebeu a decisão com serenidade.

A produtora destacou que a abertura do inquérito não representa uma conclusão sobre possíveis irregularidades.

Além disso, declarou que apresentou prestações de contas às autoridades e continuará colaborando com a investigação.

Pedido de Lindbergh teve outro destino

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) também havia solicitado ao STF uma investigação sobre o caso.

No entanto, a Procuradoria-Geral da República recomendou o arquivamento desse pedido específico.

Posteriormente, a PGR apoiou a investigação solicitada diretamente pela Polícia Federal. Os pedidos seguiram caminhos distintos porque partiram de autores e fundamentos processuais diferentes.

No fim de junho, o presidente do STF, Edson Fachin, definiu André Mendonça como relator do caso.

Agora, a Polícia Federal deverá rastrear as movimentações financeiras, identificar os beneficiários e verificar a aplicação dos recursos.

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