Manifestação organizada pela esquerda amplia pauta e cobra reação firme do governo Lula à ofensiva americana
O protesto organizado por movimentos de esquerda e centrais sindicais, na noite desta quinta-feira (10), em frente ao MASP, na Avenida Paulista, foi marcado por críticas contundentes não apenas ao Congresso Nacional —como previsto inicialmente—, mas também ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Embora o foco inicial fosse a defesa de pautas econômicas como a taxação dos super-ricos, isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil e o fim da escala 6×1 no trabalho, a manifestação acabou incorporando uma forte resposta simbólica ao tarifaço de 50% anunciado por Trump sobre produtos brasileiros.
Boneco queimado e gritos de protesto
O anúncio da medida por Trump, feito na véspera, provocou indignação nos organizadores e manifestantes. Um boneco representando o presidente americano foi queimado na avenida, enquanto militantes entoavam gritos de “Fora, Tarcísio” e palavras de ordem contra a anistia para bolsonaristas envolvidos nos atos golpistas.
De acordo com o Monitor do Debate Político do Cebrap, o protesto reuniu cerca de 15 mil pessoas, superando o público estimado no último ato bolsonarista, realizado no mesmo local no fim de junho (12,4 mil). A adesão surpreendeu os organizadores por ter ocorrido em um dia útil, diferentemente de manifestações tradicionais aos domingos.
Boulos: “Patriotas de verdade estão aqui”
Um dos principais nomes presentes, o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) destacou a mobilização como a maior do ano. “Aqui estão os verdadeiros patriotas. Não os que usam o símbolo nacional para conspirar contra o país”, afirmou. O parlamentar também alfinetou o governador paulista, afirmando que Tarcísio coloca “sua servidão ao bolsonarismo acima do estado que deveria governar”.
A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) direcionou seu discurso a Trump: “Não mexa com os brasileiros”. E criticou a família Bolsonaro, acusando-os de usarem dinheiro público para agir contra os interesses nacionais.
Já o deputado federal Rui Falcão (PT-SP), ex-presidente nacional do PT, avaliou a manifestação como uma resposta patriótica à crise internacional e defendeu que a nova direção do partido estimule a militância a ocupar as ruas. “A rua não pode ser território exclusivo da direita”, afirmou.
Tarcísio vira alvo e corre para Brasília
Enquanto os discursos aconteciam em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas viajou a Brasília para se reunir com Jair Bolsonaro —um encontro que não constava em sua agenda oficial. Antes, ele havia reconhecido que as tarifas de Trump terão impacto negativo sobre a economia paulista, mas voltou a defender o ex-presidente e cobrou do governo federal “melhor articulação internacional”.
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Mobilização pela soberania e pela pauta social
Além de cartazes com críticas ao tarifaço e aos bolsonaristas, o ato trouxe faixas e bandeiras da CUT, MTST, PSOL e PT, com apelos por diversidade, igualdade social e defesa da soberania. Para os manifestantes, o gesto de Trump em defesa de Bolsonaro, associado à nova política tarifária, é uma afronta direta à democracia e à autonomia brasileira.
A carta de Trump a Lula, em que o americano defende Bolsonaro e acusa o Brasil de perseguição política, foi mencionada em diversos discursos. O temor de que o ex-presidente esteja tentando se refugiar sob proteção americana serviu de combustível político adicional à mobilização.






