Bolsonaro decide enviar Mourão para a posse de Fernández na Argentina

O presidente Jair Bolsonaro foi convencido ao longo da tarde desta 2ª feira (9.dez.2019) de que não poderia abrir mão de enviar 1 representante de peso para a posse do presidente eleito na Argentina, Alberto Fernández.

Decidiu enviar o vice-presidente, Hamilton Mourão, que embarca às 20h desta noite. A cerimônia de posse do argentino será realizada nesta 3ª feira (10.dez.2019), em Buenos Aires.

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A ida de Mourão foi sugerida por militares que integram a equipe de governo. O próprio vice-presidente se colocou à disposição ao ser chamado para uma reunião nesta 2ª feira no gabinete do presidente. “Sou 1 soldado, estou pronto para viajar”, disse Mourão no encontro, que contou com participação de alguns ministros.

Um ministro que participou da reunião relatou ao Poder360 que “a conversa foi cordial“. “O presidente entendeu a importância das relações econômicas com a Argentina”, falou.

CONTEXTO

A relação entre o atual governo brasileiro e aquele eleito pela Argentina tem sido marcada por troca de farpas. Bolsonaro defendeu explicitamente a reeleição de Mauricio Macri, derrotado em 1º turno. Chegou a dizer que o país vizinho corria risco de se tornar “uma Venezuela” caso Fernández vencesse o pleito.

De acordo com o presidente brasileiro, o retorno da chapa que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice poderia provocar a ida de argentinos para o Sul do Brasil, assim como há migração de venezuelanos na região Norte do país.

Em sua viagem à Ásia e ao Oriente Médio, na 2ª quinzena de outubro, Bolsonaro comentou o resultado da eleição argentina. “Lamento. Eu não tenho bola de cristal, mas eu acho que a Argentina escolheu mal”, disse na ocasião.

Quem também criticou a eleição de Fernández foi o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores). No Twitter, o chanceler escreveu:

“As forças do mal estão celebrando. As forças da democracia estão lamentando pela Argentina, pelo Mercosul e por toda a América do Sul. Mas o Brasil continuará inteiramente do lado da liberdade e da integração aberta.”

A crítica de Ernesto Araújo à democracia argentina aconteceu em meio a visitas a ditaduras extremistas, como da Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes, com passagem pela China.

Àquela altura, Bolsonaro também afirmou que não compareceria à posse do colega. Por outro lado, presidentes de Paraguai, Chile, Bolívia, Peru e México cumprimentaram o recém-eleito.

Em antagonismo com o presidente brasileiro, Fernández celebrou nas redes sociais a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal adversário político de Bolsonaro.

Na semana passada, houve reunião do Mercosul. Fernández não foi convidado a participar, mesmo estando a 5 dias de tomar posse oficialmente. Foi o último encontro oficial de Bolsonaro com Macri.