
Ajuda ocorre em meio a novas sanções dos Estados Unidos contra a ilha
O Governo do Brasil anunciou que enviará, ainda nesta semana, alimentos e insumos para a produção agrícola em Cuba. A iniciativa integra um programa de cooperação bilateral entre os dois países.
O anúncio ocorreu durante a 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe. O evento começou na segunda-feira (2), em Brasília.
Durante a conferência, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, explicou como funcionará a ajuda.
Segundo ele, o governo comprará os insumos no Brasil. Depois disso, enviará os produtos para Cuba.
“O Brasil vai enviar, nesta semana, uma ajuda a Cuba para a compra de insumos destinados à produção agrícola. Essa compra será feita no Brasil. Nós vamos disponibilizar os recursos. Também enviaremos alimentos a Cuba”, afirmou o ministro à agência Prensa Latina.
Cooperação será coordenada pelo Itamaraty
A ajuda integra um programa coordenado pela Agência Brasileira de Cooperação. O órgão é vinculado ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

Além disso, o envio ocorre em meio ao aumento da pressão econômica sobre Cuba. Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva com novas ameaças de sanções.
A medida prevê punições contra países que vendam ou forneçam petróleo à ilha, direta ou indiretamente.
De acordo com o coordenador residente da Organização das Nações Unidas em Cuba, Francisco Pichón, a escassez de combustíveis se tornou um fator central da crise humanitária.
Segundo ele, a falta de energia ampliou os riscos sociais e agravou a situação econômica da ilha.
Lula critica sanções e manifesta apoio a Cuba
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as medidas adotadas pelos Estados Unidos.
No dia 7 de fevereiro, durante o aniversário de 46 anos do Partido dos Trabalhadores, em Salvador, Lula falou sobre o tema.
Na ocasião, ele afirmou que Cuba enfrenta um “massacre alimentado pela especulação americana”.
Além disso, o presidente reiterou a solidariedade do Brasil ao povo cubano.
“Nosso país se solidariza com o povo cubano. E nós, como partido, temos que encontrar maneiras de ajudar”, afirmou.
Movimentos sociais também enviaram ajuda
Além da cooperação oficial, organizações sociais brasileiras iniciaram campanhas de solidariedade.
A Campanha de Solidariedade com Cuba enviou recentemente um carregamento com 1.700 quilos de medicamentos. Os produtos foram destinados a hospitais da província de Santiago de Cuba.
A região sofreu impactos do furacão Melissa.
Segundo os organizadores, a iniciativa responde à escassez provocada pelo bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas.
Além disso, novas sanções no setor energético agravaram o cenário.
Brasil já havia enviado doações anteriormente
No final do ano passado, o governo brasileiro também enviou ajuda humanitária a Cuba.
A doação incluiu dez toneladas de alimentos desidratados, 50 purificadores de água e kits de medicamentos.

A ajuda buscou apoiar comunidades afetadas pelo furacão Melissa, que atingiu o leste da ilha com categoria três na escala Saffir-Simpson.
Segundo estimativas, mais de 5.500 pessoas receberam assistência nas províncias orientais do país.
Na ocasião, o embaixador do Brasil em Havana, Christian Vargas, destacou o fortalecimento da cooperação entre os dois países.
Segundo ele, desde 2023 o Brasil relançou mais de dez projetos de cooperação técnica com Cuba.
Esses projetos envolvem áreas como saúde, educação e produção agrícola.
Países latino-americanos ampliam apoio
Com o novo envio anunciado, o Brasil se soma a outros países da região que ampliaram ajuda à ilha.
Recentemente, o governo da presidenta Claudia Sheinbaum também enviou assistência humanitária.
Primeiro, o México mandou 800 toneladas de alimentos. Depois disso, dois navios da Marinha mexicana chegaram a Havana no sábado (28).
A nova remessa trouxe 1.200 toneladas de alimentos e mais 23 toneladas arrecadadas por organizações sociais com apoio do governo da Cidade do México.
Sheinbaum classificou como “muito injusta” a tentativa dos Estados Unidos de impor tarifas contra países que exportem petróleo para Cuba.
Segundo ela, o México continuará enviando ajuda humanitária.
Ao mesmo tempo, o governo mexicano pretende realizar ações diplomáticas para restabelecer o envio de petróleo à ilha.
“Não se pode estrangular um povo assim”, afirmou a presidenta.
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