Governo chinês reafirma parceria estratégica e rejeita práticas comerciais abusivas de Washington
A China declarou apoio firme ao Brasil diante do novo pacote de tarifas imposto pelos Estados Unidos. A medida foi comunicada em ligação do chanceler chinês, Wang Yi, ao assessor especial da Presidência, Celso Amorim.
“Apoiamos o Brasil na defesa dos seus direitos e na resistência à intimidação tarifária”, afirmou Wang Yi durante a conversa.
O contato ocorre no mesmo dia em que entraram em vigor as tarifas norte-americanas de até 50% sobre produtos brasileiros, anunciadas por Donald Trump. A justificativa do republicano foi política: a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, determinada pelo Supremo Tribunal Federal, deveria ser suspensa, segundo Trump.
Além disso, a Embaixada da China no Brasil publicou nas redes sociais a frase “a união faz a força”, sinalizando apoio público ao governo brasileiro.
Tarifas com motivação política escancaram pressão internacional
Trump acusou o STF de perseguir Bolsonaro e exigiu o fim do julgamento. Por causa disso, incluiu o Brasil entre os países mais taxados.
Desde julho, os EUA vêm pressionando seus parceiros comerciais. No entanto, o Brasil decidiu reagir. O governo optou por acionar a OMC e denunciar a violação dos acordos multilaterais.
China repete apoio ao Brasil: “Tarifas não devem servir à intimidação”
Não é a primeira vez que a China sai em defesa do Brasil. Em julho, após o anúncio inicial das tarifas, a porta-voz do Ministério chinês, Mao Ning, criticou duramente a decisão norte-americana.
“As tarifas não devem ser ferramentas de coerção ou interferência em assuntos internos”, declarou Mao.
Ela também reforçou que o respeito à soberania e à não intervenção são pilares da Carta da ONU e do comércio internacional.
Alinhamento sino-brasileiro reforça bloco Sul Global
O gesto chinês não tem apenas valor diplomático. Ele insere o Brasil em uma frente geopolítica que contesta o protecionismo dos EUA. Ao contrário de outros países que buscaram acordos com Washington, o Brasil preferiu confrontar a decisão unilateral.
A China também passou por situação semelhante. Em abril, Trump anunciou tarifas de 34% sobre produtos chineses. Em resposta, Pequim elevou os impostos sobre produtos norte-americanos a 125%.
A escalada tarifária só diminuiu após negociações em maio. Os dois países chegaram a um acordo: 30% de tarifas para produtos chineses e 10% para os norte-americanos. Ainda assim, o clima permanece tenso.
Brasil reage e tenta resgatar papel da OMC
O Brasil formalizou sua queixa na OMC. Argumenta que as tarifas dos EUA violam os princípios da “nação mais favorecida” e superam os limites previstos.
Embora o sistema de apelação da OMC esteja paralisado desde 2019, o governo brasileiro decidiu marcar posição. A iniciativa fortalece a imagem do país como defensor do multilateralismo.
Enquanto os EUA se isolam, Brasil e China ampliam seu papel de liderança no comércio internacional. Por fim, a reação brasileira reforça sua soberania e desafia a lógica de sanções unilaterais por motivações políticas.
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