Flordelis é apontada como a mandante do assassinato do marido

Além de ser indiciada pelo crime, a deputada e a família são alvo de grande operação do Ministério Público e da Polícia Civil nesta segunda 24/08

Rio – Depois de um ano e dois meses de investigação, a deputada federal Flordelis (PSD-RJ), de 59 anos, foi apontada como a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, 42. Além de ser indiciada pelo crime, a parlamentar e a família são alvo, nesta segunda-feira, da Operação Lucas 12, do Ministério Público estadual (MPRJ) e a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá (DHNSGI), sobre o caso.
São nove mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão sobre a morte do líder religioso, que estão sendo cumpridos na casa da deputada e em outros endereços ligados à ela em São Gonçalo, na capital, e até mesmo Brasília. Os mandados foram expedidos pela 3ª Vara Criminal de Niterói.
“Ela foi surpreendida com a nossa chegada, chorou um pouco, porque tinha muita gente dentro de casa”, revela o chefe do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP), o delegado Antônio Ricardo Nunes.
Alvos dos mandados de prisão:
. Adriano dos Santos Rodrigues: PRESO
. André Luiz de Oliveira: PRESO
. Carlos Ubiraci Francisco da Silva: PRESO
. Marzy Teixeira da Silva: PRESO
. Simone dos Santos Rodrigues: PRESA
. Marcos Siqueira Costa: PRESO
. Rayane dos Santos Oliveira: PRESA EM BRASÍLIA
. Flávio dos Santos Rodrigues: PRESO EM 2019
. Andrea Santos Maia: PROCURADA
Flordelis não pode ser presa pela Polícia Civil porque tem foro privilegiado.
“Temos 11 pessoas respondendo criminalmente. Levando em conta que a família tem 55 pessoas, temos 20% de envolvidos. Já temos quatro presos e temos outros alvos, inclusive em Brasília. Todos eles têm uma participação que foram comprovadas no decorrer da investigação”, destaca o delegado.
Flordelis foi indiciada por cinco crimes:
. homicídio triplamente qualificado
. tentativa de homicídio duplamente qualificado
. falsidade ideológica
. uso de documento falso
. organização criminosa
“A motivação do crime é porque ela estava insatisfeita com a forma como o pastor Anderson tocava a vida e fazia a movimentação financeira da família”, conta o delegado.
O CRIME
O pastor Anderson do Carmo morreu na madrugada do dia 16 de junho do ano passado, quando havia acabado de chegar em casa na companhia da mulher, em PendotibaNiterói, na Região Metropolitana do estado. Ele foi alvo de vários disparos de tiro, na garagem da residência. O laudo da necrópsia apontou que o corpo do líder religioso tinha 30 perfurações de bala. Na ocasião, Flordelis afirmou à polícia que o marido tinha sido morto durante um assalto.
Dois filhos do casal, Flávio dos Santos Rodrigues, 38, filho biológico da deputada, e Lucas Cézar dos Santos de Souza, 18, adotado pelo casal, vão ser julgados como executores do crime por homicídio duplamente qualificado. Eles estão presos preventivamente em Bangu 9, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste da capital, de a época do assassinato.
“Flordelis é responsabilizada por arquitetar o homicídio, arregimentar e convencer o executor direto e demais acusados a participarem do crime sob a simulação de ter ocorrido um latrocínio. A deputada também financiou a compra da arma e avisou da chegada da vítima no local em que foi executada, segundo a denúncia”, defende o MPRJ.
A investigação apontou que familiares tentaram fazer com que Flávio assumisse a responsabilidade pelo crime sozinho. Uma carta confessando o crime foi atribuída a ele, que chegou a confessar ter atirado seis vezes no padrasto. Flávio, no entanto, se sentiu injustiçado e revelou tudo a polícia.
“Também é imputado a Flordelis e a outros denunciados o crime de uso de documento falso, por tentarem, através de carta redigida por Lucas, atribuir a pessoas diversas a autoria e ordem para a prática do homicídio. Segundo a denúncia, o executor Flávio tinha o objetivo de livrar ele próprio e Flordelis da responsabilização do crime. Flordelis também tinha o objetivo de vingar-se de dois de seus filhos ‘afetivos’ que não teriam aceitado as ordens de calar ou faltar a verdade durante os depoimentos”, diz o Ministério Público.
Já Lucas é apontado como responsável pela negociação da arma usada por Flávio no dia do crime. A pistola Bersa, calibre 9 mm, foi encontrada dias depois do crime no quarto de Flávio.
“As ações dos demais denunciados são descritas em diferentes etapas como no planejamento, incentivo e convencimento para a execução do crime, assim como em tentativas de homicídio anteriores ao fato consumado, pela administração de veneno na comida e bebida da vítima, ao menos seis vezes, sem sucesso, segundo apontaram as investigações”, diz o Ministério Público.
“Também é imputado a Flordelis e a outros denunciados o crime de uso de documento falso, por tentarem, através de carta redigida por Lucas, atribuir a pessoas diversas a autoria e ordem para a prática do homicídio. Segundo a denúncia, o executor Flávio tinha o objetivo de livrar ele próprio e Flordelis da responsabilização do crime. Flordelis também tinha o objetivo de vingar-se de dois de seus filhos ‘afetivos’ que não teriam aceitado as ordens de calar ou faltar a verdade durante os depoimentos”, diz o Ministério Público.