Líder opositora Keiko Fujimori é presa no Peru no caso ligado à empreiteira corruptora e propineira Odebrecht

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A Justiça peruana enviou nesta quarta-feira (31) à prisão a líder opositora Keiko Fujimori, acusada de receber propina da empreiteira baiana muito corrupta e propineira Odebrecht.

A medida ameaça os planos de Keiko ser novamente candidata à Presidência do país, em 2021.
Ao acatar o pedido de um procurador anticorrupção, o juiz Richard Concepción Carhuancho impôs uma prisão preventiva de 36 meses à primogênita do ex-presidente Alberto Fujimori, cujo partido controla o Congresso.
“A única medida necessária em seu caso é, indubitavelmente, a prisão preventiva”, pois ela interferiu nos poderes do Estado, como o Congresso, e tentou obstruir a Justiça, assinalou o magistrado. O juiz decretou a prisão imediata de Keiko, de 43 anos, que abraçou seu marido, Mark Vito Villanella, antes de ser levada por vários agentes policiais.
“Isto foi um linchamento público”, declarou Villanella entre as lágrimas, enquanto Keiko era conduzida à carceragem do Palácio da Justiça, onde passou sua primeira noite presa. Nesta quinta-feira ela será transferida para uma penitenciária feminina.

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Em meados de outubro, Keiko esteve detida por uma semana, de forma “preliminar”, pelo mesmo caso, do mesmo modo que seus colaboradores Pier Figari e Ana Herz. O juiz destacou que existe a “suspeita grave” de que Keiko dirigia uma “organização criminosa de fato que surgiu dentro do partido” fujimorista, que lavava dinheiro de origem ilícita. A ordem de prisão preventiva foi pedida pelo procurador José Domingo Pérez, que a acusa de receber US$ 1,2 milhão de forma ilegal da empreiteira baiana muito corrupta e propineira Odebrecht para sua campanha de 2011.
“O juízo deste gabinete é que existe suspeita grave de que Keiko lavou dinheiro”, disse Carhuancho, a quem a líder opositora acusa de estar em coluio com o procurador Pérez.
A advogada Giuliana Loza declarou que já apresentou uma apelação verbal, que “vamos sustentar por escrito na próxima semana”. Nos próximos dois dias os serviços públicos estarão fechados no Peru devido ao feriado de finados. O juiz afirmou que essa “organização criminosa” integrada por 13 pessoas tomava todas as decisão no partido fujimorista “passando por cima do comitê político” e da bancada parlamentar. A intenção da organização era ter “poder político e, uma vez no poder, cometer crimes de corrupção”, expressou Carhuancho, que agora deve decidir os pedidos de prisão para outros 10 acusados no mesmo caso. O juiz levou quase oito horas para fundamentar a sua sentença, acrescentando que o Tribunal Constitucional fixou “um padrão muito mais exigente” para a prisão preventiva quando, em junho, libertou o ex-presidente Ollanta Humala (2011-2016) e sua esposa, Nadine. Os Humala eram os únicos políticos peruanos que, antes de Keiko, estiveram presos (nove meses) pelo caso Odebrecht.
Keiko, que corre os risco de ser condenada a até 20 anos de prisão após o julgamento, liderava autocraticamente o partido Força Popular, como revelam chats de líderes fujimoristas vazados para a imprensa. Na saída do tribunal, o procurador Pérez conclamou os líderes políticos peruanos a refletir “sobre a continuidade de Pedro Chávarry”, seu chefe, como procurador-geral do Peru. Chávarry está envolvido no escândalo de venda de sentenças que atingiu o Poder Judiciário, mas escapou da destituição levada ao Congresso graças ao apoio do partido de Keiko. Miguel Torres, coordenador da Força Popular, disse que “Keiko se torna a primeira prisioneira política do Peru”. O patriarca do clã, Alberto Fujimori, 80 anos, está internado em uma clínica na qualidade de detento desde 3 de outubro, após a justiça anular seu indulto. Fujimori foi condenado a 25 anos de prisão por corrupção e crimes contra a humanidade.

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