Na gestão de Amazonino, Susam pagou quase R$ 80 mil por pacientes “fantasmas” em exames superfaturados de R$ 868 mil

Em 2017, valor superfaturado em pelo menos R$ 750 mil, segundo apuração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde.

A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) pagou o total de R$ 868 mil por exames realizados nos municípios de Guajará, Ipixuna e Envira, em 2017, valor superfaturado em pelo menos R$ 750 mil, segundo apuração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde. Na nota fiscal, foi registrado o serviço para 100 pacientes, mas apenas 91 realizaram os exames.

Amazonino Mendes

A empresa que prestou os serviços foi a Norte Serviços Médicos, a mesma investigada pela lavanderia do Hospital de Combate à Covid-19 da Nilton Lins, e que já recebeu quase R$ 25 milhões da Susam, desde 2017. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira, dia 23, pelo deputado Delegado Péricles, presidente da CPI.

Exames ginecológicos de colposcopia e conização foram realizados nos dias 28 e 29 de julho, e 10 e 11 de agosto de 2017. A empresa registrou que 100% das 91 mulheres realizaram os dois exames, mas médicos afirmam que apenas 30% das pacientes realizariam o exame da conização, afirmou o Delegado Péricles.

O valor unitário pago pelos dois exames foi de R$ 8.680 para 91 pacientes. A CPI apurou que no Sistema Único de Saúde (SUS), os mesmos exames saem por R$ 18 e R$ 443,66. Em uma clínica particular, os dois exames não sairiam por mais de R$ 1.300.

A nota fiscal data de 21 de agosto de 2017, com serviço realizado para 100 pacientes, ou seja, R$ 79.740 pagos por 9 pacientes a mais, que não foram listadas. A Susam ainda registrou propostas licitatórias de outras empresas com data posterior à realização do serviço.

A CPI também apresentou caso de superfaturamento em exames de ultrassonografia, assinados por um profissional sem especialização da Norte Serviços Médicos, o médico Marcos Davi Justiniano Cuellar. Em 2017, consta que ele realizou 21 plantões ininterruptos de 12 horas, pelos quais recebeu R$ 221.950, em nome da empresa.

De acordo com os registros, Marcos Cuellar teria realizado 965 exames a R$ 230 cada, em apenas 21 dias. Só no dia 31 de maio, ele teria feito 121 exames de ultrassonografia, o que não é possível, visto que seriam necessários pelo menos 30 horas, sem parar, para realizar essa quantidade de exames.