Presidente do TSE viu indícios de indução no questionário da AtlasIntel e suspendeu a divulgação do levantamento
Brasília – O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou, nesta segunda-feira (8), a retirada do ar de uma pesquisa do Instituto AtlasIntel sobre a disputa presidencial de 2026.
Além disso, o ministro suspendeu a divulgação do levantamento nos canais oficiais da empresa. A pesquisa, divulgada em maio, apontava queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República.
A decisão atendeu a um pedido do Partido Liberal (PL), que questionou a metodologia do levantamento. Segundo a legenda, o questionário teria induzido respostas negativas sobre Flávio Bolsonaro.
TSE aponta possível contaminação das respostas
Na decisão, Nunes Marques afirmou que há indícios de indução capazes de comprometer a metodologia da pesquisa.

Segundo o ministro, o caso não envolve apenas uma discordância sobre escolhas metodológicas da AtlasIntel. Ao contrário, a controvérsia trata de uma possível utilização do questionário como mecanismo de influência sobre o entrevistado.
“A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, escreveu.
Além disso, o presidente do TSE destacou que outras 27 pesquisas realizadas pela AtlasIntel não apresentaram questionários com perguntas semelhantes. Também não houve, nesses levantamentos, veiculação de áudio durante a aplicação das entrevistas.
Pesquisa saiu após áudio envolvendo Daniel Vorcaro
A AtlasIntel divulgou o levantamento após o vazamento de um áudio em que Flávio Bolsonaro pedia dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo o PL, a pesquisa explorou o episódio em sequência e, dessa forma, teria levado os entrevistados a formar uma percepção negativa sobre o senador.

A legenda afirmou que, das 49 perguntas do questionário, 8 envolviam diretamente o Banco Master. Além disso, essas perguntas apareceram em sequência, o que, na avaliação do partido, influenciou a percepção dos eleitores.
Para o PL, o instituto não apenas mediu a opinião dos entrevistados. Na visão da legenda, a pesquisa também teria ajudado a construir uma narrativa negativa contra o pré-candidato.
PL diz que questionário criou narrativa contra Flávio
Na ação, o PL sustentou que o questionário seguiu uma progressão capaz de impactar a avaliação dos entrevistados.
Segundo o partido, a sequência tratava de temas como medo eleitoral, comparação entre Lula e Flávio Bolsonaro, fraude financeira, Banco Master, Daniel Vorcaro, conversas vazadas, possível envolvimento direto, impacto no voto, enfraquecimento da candidatura e eventual retirada da candidatura.
Por isso, a legenda afirmou que o levantamento poderia transformar uma pesquisa eleitoral em instrumento indireto de propaganda negativa.
“A pesquisa, da maneira heterodoxa em que formulada, pode criar, indevidamente, manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo. Isso desvirtua a função informativa da pesquisa eleitoral e permite que o instrumento de medição se converta em meio indireto de propaganda negativa”, afirmou o PL.
AtlasIntel terá de explicar metodologia
Nunes Marques também determinou que a AtlasIntel envie documentação técnica complementar ao TSE.
Com isso, o instituto deverá explicar a regularidade da metodologia e esclarecer o uso do áudio durante a aplicação da pesquisa.
Além disso, o Ministério Público Eleitoral deverá se manifestar no processo. A decisão do presidente do TSE ainda será levada a referendo do plenário do tribunal. Portanto, os ministros poderão confirmar, modificar ou derrubar a ordem monocrática.
Levantamento ouviu mais de 5 mil eleitores
Segundo os dados informados no processo, a AtlasIntel ouviu 5.032 eleitores em todo o Brasil entre os dias 13 e 18 de maio.
A margem de erro do levantamento é de 1 ponto percentual, com nível de confiança de 95%.
Apesar da suspensão, a decisão não representa julgamento definitivo sobre a atuação do instituto. Neste momento, o TSE determinou a retirada do conteúdo e pediu esclarecimentos técnicos sobre a metodologia utilizada.
Caso aumenta tensão na pré-campanha de 2026
A decisão ocorre em um ambiente de pré-campanha marcado por disputas judiciais, questionamentos sobre pesquisas eleitorais e forte polarização política.
Pesquisas de intenção de voto costumam influenciar estratégias partidárias, formação de alianças e percepção pública sobre candidaturas. Por isso, questionamentos sobre metodologia ganham peso no Tribunal Superior Eleitoral durante o período pré-eleitoral.
Com a decisão, o TSE sinaliza que poderá intervir quando identificar indícios de que uma pesquisa ultrapassou a função de medir opinião pública e passou a interferir na percepção dos entrevistados.
Ainda assim, o caso seguirá em análise. A AtlasIntel poderá apresentar explicações, o Ministério Público Eleitoral deverá opinar e o plenário do TSE terá a palavra final sobre a manutenção da suspensão.
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