Coluna do Jota Garcia

Opinião – As pitadas dos bastidores eleitorais

Por Jota Garcia

A política no Amazonas nunca dorme — e muito menos silencia nos corredores onde o olhar oficial não chega. Com a proximidade das definições institucionais e o aquecimento da disputa eleitoral de 2026, os rumores ganham força, e cada movimento deixa claro: há muito mais em jogo do que aparece nas notas oficiais.

A lista tríplice do TJAM: símbolo e suspeitas no Dia do Advogado

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) definiu para o dia 11 de agosto — data em que se comemora o Dia do Advogado — a votação da lista tríplice que vai ao governador para a escolha do novo desembargador pelo Quinto Constitucional . A medida é, em tese, uma homenagem à classe jurídica. Mas nos bastidores, o clima é de desconfiança.

Corre solto a informação de que uma das postulantes seria protegida da chamada “máfia dos combustíveis” e advogada de um empresário do ramo educacional, alvo de graves acusações de pedofilia e estupro de vulnerável. O caso, segundo comentários, não avançou como deveria — e o investigado segue solto, ocupando espaço como se fosse um expoente da educação superior. “Então tá”, resume a voz popular: justiça e interesses parecem caminhar por estradas diferentes.

O processo segue o rito: a OAB-AM entregou a lista sêxtupla em maio; agora os desembargadores reduzem a três nomes, antes de a decisão final passar às mãos do governador. A data escolhida só aumenta a tensão: será que a escolha vai honrar a advocacia ou servir a acordos de gabinete?

Rueda e a estrada do Senado amazonense

Se no Judiciário o mistério paira, na política partidária a movimentação também é intensa. Dizem os bastidores que o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, estaria tentando emplacar seu braço direito ao lado da candidatura de Alberto Neto.

O nome cotado é Alessandro Bronze, conhecido como amigo e financiador da última campanha de Alberto Neto à Prefeitura de Manaus. A articulação não passa despercebida: segundo fonte ligada ao ex-deputado Alfredo Nascimento, dono do PL no Amazonas, a investida de Rueda sinaliza uma tentativa de reforçar o palanque com laços antigos — e interesses que vão além da legenda.

Pitadas fortes: a política que não se vê na platéia

A eleição de 2026 já mostra sua cara: acordos costurados longe das câmeras, nomes que sobem não só por mérito, mas por proteção, e instituições que parecem, por vezes, reféns de grupos organizados.

O que se ouve nos corredores — seja do Judiciário, dos partidos ou das rodas de conversa — é que a disputa não é apenas por votos, mas por poder de influência, por controle de verbas e por manter estruturas que há muito comandam o Estado. E quando os bastidores falam mais alto que os discursos oficiais, a população é quem paga o preço: a certeza de que a justiça e a política deveriam servir ao bem comum, mas muitas vezes servem apenas a quem tem força para ditar as regras.

Resta esperar: no dia 11 de agosto, a lista sairá. Mas a pergunta que fica — e que os bastidores já responderam em surdina — é: ela vai refletir a lei ou os interesses?