Nos bastidores da segurança pública e da política amazonense, uma articulação vem ganhando força e expõe o que muitos já sussurravam: a estrutura de poder montada pela ex-delegada‑geral da Polícia Civil do Amazonas (PCAM) está muito mais ligada a interesses pessoais, alianças partidárias e exercício autoritário do que ao cumprimento do dever legal.
Relatos de quem conviveu de perto com a gestão dessa autoridade revelam um ambiente muito distante do que se espera de uma instituição séria. Enquanto ocupava o cargo chefe de gabinete da corporação, o gabinete servia, segundo depoimentos, como espaço de favorecimentos, relações pessoais confusas e trocas de favores — longe de ser centro de planejamento estratégico ou de ações voltadas à segurança da população. Nesse meio tempo, a sua principal assessora e braço direito — hoje ainda com forte influência e poder de decisão — consolidou espaço, assumiu o comando de investigações e passou a agir como se fosse a verdadeira dona da polícia, mesmo depois da troca de comando oficial.
Essa mesma figura é apontada como a principal ligação entre a corporação e grupos políticos que hoje se dizem “oposição”, usando a estrutura policial como instrumento de pressão, retaliação e articulação eleitoral.
O descontrole chegou a ponto de ela se envolver em conflitos abertos até com a Polícia Militar — em confusão que chegou às ruas — e, de forma ainda mais grave, ter usado equipes especializadas, como a do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), para perseguir quem ousou criticá‑la.
Há relatos documentados de que um jornalista que expôs desvios e condutas irregulares foi alvo de operação montada de última hora, baseada em argumentos frágeis, com o claro objetivo de atingir não apenas ele, mas toda a sua família — prova de um ego inchado e de uma visão deturpada do poder público.
Para quem observa o cenário com atenção, o que está em jogo não é apenas uma questão de cargo ou hierarquia.
Trata‑se de restaurar a credibilidade da PCAM e da segurança pública do Amazonas. O governo estadual tem pleno conhecimento de todos esses fatos, ouve os reclamos de policiais de carreira que se sentem desvalorizados e coagidos, e sabe exatamente quem é essa pessoa que se acha acima das leis e das normas.
Chegou o momento de cortar de vez essas asas que voam fora da lei, que atrapalham investigações sérias, que transformam polícia em braço de política partidária e que mancham o trabalho de milhares de profissionais honestos. A segurança não pode ser propriedade de uma autoridade de araque — pertence ao povo do Amazonas.






