Por Jota Garcia
MPAM, TCEAM, com a palavra, gestão de David Reis muito acima de suspeitas ?
Enquanto a Câmara Municipal de Manaus (CMM) suspende sessões importantes por falta de quórum, deixando projetos que interessam à população parados nas gavetas, a presidência da casa não hesita em abrir os cofres públicos para financiar viagens de pré-candidatos. No período de 7 a 10 de julho de 2026, quatro vereadores seguem rumo a Aracaju (SE) e Brasília (DF), em um gasto que já passa de R$ 40 mil — tudo pago por você, eleitor que sente a falta de serviços básicos na capital.
A autorização saiu na edição do dia 2 de julho do Diário Oficial Eletrônico do Legislativo, assinada pelo presidente David Reis, também do Avante, mesmo partido de dois dos viajantes: Carlos Pai Amado e Rodinei Ramos. A eles se juntam Allan Campello (Podemos) e Jaildo dos Rodoviários (PV). A justificativa? Participação em “eventos públicos” — mas em ano eleitoral, qualquer semelhança com campanha eleitoral não é mera coincidência.
Contas que não fecham para o bolso do cidadão
Os números falam por si, e não são nada modestos. Cada um dos quatro vereadores terá direito a quatro diárias, no valor médio de R$ 1.500,00 por dia: só isso já soma R$ 24 mil. Para Jaildo dos Rodoviários e Carlos Pai Amado, que vão a Sergipe, as passagens aéreas de última hora — em plena alta temporada — custam cerca de R$ 4,5 mil cada trecho, chegando a R$ 9 mil no total para os dois. Já Rodinei Ramos e Allan Campello gastam R$ 3,2 mil por bilhete para ir e voltar da capital federal, mais R$ 6,4 mil. Acrescentando a taxa de inscrição de R$ 795,00 para o evento em Aracaju, a conta fecha em mais de R$ 40 mil retirados diretamente do orçamento municipal.
É dinheiro que poderia estar em obras, na saúde, na educação ou na assistência social — mas acaba financiando a “maratona” de quem deveria estar sentado na cadeira do Legislativo, votando para melhorar a vida de Manaus.
Ausência que custa caro
O pior de tudo é o contraste gritante: há semanas, sessões plenárias foram interrompidas porque não havia número suficiente de vereadores para votar matérias essenciais. Agora, esses mesmos parlamentares encontram “disponibilidade” para viajar milhares de quilômetros, com todas as despesas pagas, em pleno ano em que buscam a reeleição ou novos cargos.
Não custa lembrar: em ano eleitoral, viagens oficiais costumam ser palco de encontros políticos, articulações partidárias e apresentação de nomes para o eleitorado — atividades que deveriam ser bancadas pelos próprios candidatos ou por seus comitês, e não pelo bolso do contribuinte que paga imposto e vê a CMM parada.
Quem sai perdendo é você
Carlos Pai Amado, Rodinei Ramos, Allan Campello e Jaildo dos Rodoviários recebem o benefício com a caneta do presidente da casa, mas a população de Manaus recebe o prejuízo: sessões sem quórum, projetos atrasados e dinheiro público desperdiçado com interesses eleitoreiros.
No dia da votação, lembre-se: quem abandona o posto de trabalho e usa o seu dinheiro para fazer campanha merece o seu voto ? A Câmara é nossa, e o dinheiro também — ele não pode servir de passaporte para passeatas de pré-candidatos.






