A Polícia Federal cumpriu nesta segunda-feira (9) uma nova ordem de prisão contra Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário estadual de Esportes do Rio de Janeiro. A ação faz parte da Operação Anomalia, que investiga um núcleo suspeito de negociar vantagens indevidas e vender influência para favorecer interesses ligados ao Comando Vermelho (CV).
Segundo a apuração, Carracena já estava detido por outra acusação no mesmo caso. Ainda assim, a Justiça expediu uma nova ordem, e a PF a executou nesta etapa.
Além disso, os agentes cumpriram três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão na cidade do Rio. Ao mesmo tempo, a Justiça determinou medidas cautelares, como afastamento de função pública. O STF expediu as ordens. Entre os presos, a operação incluiu o delegado federal Fabrizio José Romano.

De acordo com a PF, as provas indicam que os investigados montaram uma associação criminosa para praticar crimes contra a administração pública e, ao mesmo tempo, favorecer interesses relacionados ao tráfico. Por isso, a operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, criada no contexto da ADPF 635. Assim, a PF busca padronizar a atuação de inteligência e repressão contra grupos violentos no Rio, com foco nas conexões com agentes públicos e políticos.
Disputa sobre a indicação
Nos bastidores, a reportagem aponta que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria indicado Carracena ao governo Cláudio Castro. No entanto, o secretário de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca, contesta essa versão. Segundo ele, foi ele quem fez a indicação.
Em nota, Gutemberg disse que escolheu Carracena para uma função técnico-jurídica com base em critérios profissionais. Além disso, ele afirmou que Flávio Bolsonaro não participou da decisão. Ele também declarou que o governo exonerou Carracena em janeiro de 2025, antes de qualquer informação que, segundo ele, chegasse ao conhecimento da secretaria sobre investigações.
Mensagens citadas pela PF
Por outro lado, a reportagem menciona diálogos obtidos em 2025, durante a Operação Zargun, que indicariam tentativas do CV de influenciar o policiamento por meio de contatos com Gutemberg. Em uma mensagem, Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão” e apontado pela PF como integrante do CV, relata que esteve com o secretário para apresentar demandas e pedir “cobertura política”.
Sobre isso, Gutemberg afirmou que soube dessas menções apenas pela imprensa. Ainda segundo ele, como figura pública, participa de agendas institucionais em várias regiões e, por isso, pode cruzar com muitas pessoas sem conhecer histórico ou contexto. Por fim, ele ressaltou que, nas mensagens divulgadas, o próprio investigado teria dito que “não teve êxito”, o que, na avaliação do secretário, reforça que ele não atendeu pedidos nem manteve relação de proximidade.
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