Plínio Valério defende de atos antidemocráticos, sem intervenção militar, difícil entendimento

Manaus – AM: Em entrevista na manhã desta sexta-feira à Rádio CBN Amazônia, de Manaus, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) reafirmou apoio ao grupo que realiza protestos antidemocráticos e se mantém acampado em frente ao CMA (Comando Militar da Amazônia) desde a vitória do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia 30 de outubro.

O senador criticou o MPF (Ministério Público Federal) por investigar possível financiamento de protestos por empresários. “Eles [MPF] tem mais o que fazer. Não tem porquê o Ministério Público Federal se meter nisso, mas eles se metem em tudo”, disse.

Plínio defendeu o direito dos seguidores do presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno das eleições, de se manifestarem. “Eu, particularmente, sou contra a intervenção militar, mas eu defendo o direito de quem saiu da eleição reclamar. Na minha cabeça não entra intervenção militar, mas na cabeça deles [manifestantes] entra e é a verdade deles. Eles têm o direito de reclamar”, afirma o senador.

Em discurso no Senado Federal na quarta-feira (9), sem citar nomes, Plínio criticou “um ministro do Supremo [Alexandre de Moraes] que chamou de imbecis senhores idosos, senhoras, crianças porque estão protestando”. Moraes não fez essa declaração, mas disse que quem pratica atos antidemocráticos será tratado como criminoso. “Aqueles que criminosamente estão praticando atos antidemocráticos serão tratados como criminosos”, disse Moraes.

“O que eu disse é que não pode chamar golpista um senhor de 80 anos, uma senhora de 70 anos, um garoto de 8, um pai de família de 38 que está ali. Não está com arma, não está com pedra, não está agredindo ninguém. Então, é próprio da democracia, numa eleição, o lado perdedor reclamar. Isso é democrático”, explicou Plínio.

O senador não fez referência à manifestação do presidente Jair Bolsonaro, em maio de 2019, que chamou de imbecil e idiotas úteis os manifestantes que foram às ruas protestar contra os cortes na Educação promovidos pelo governo federal.

Em junho do mesmo ano, em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro chamou de idiota e imbecil o então presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Luís Roberto Barroso.

Sobre a investigação com relação a financiamento aos atos antidemocráticos, Plínio opinou que “o Ministério Público Federal tem mais o que fazer”. E cobrou: “Por exemplo, o Ministério Público Federal não levou em consideração a denúnica que eu fiz quando vereador em 2018 dos flutuantes do Tarumã. Tinham 43 flutuantes quando eu denunciei e pedi providências e eles não tomaram; hoje tem mil”. “Eu não vejo porquê o Ministério Público Federal se meter nisso, mas eles se metem em tudo, quando não devem” completou.

O senador também criticou a atuação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a classificou como “passional”. “Não sou bolsonarista, mas ficou claro que o TSE teve atuação. Você quando dá “3x” de direito de resposta a um candidato e só dá “1x” para o outro, quando cerceia a liberdade da pessoa de ter seu blog ou site só porque está defendendo um candidato, você quando manda prender quem está defendendo candidato, isso é passionalidade. Isso é altamente passional”, disse.

Eleições 2024

Na entrevista, Plínio Valério descartou candidatura a prefeitura de Manaus em 2024. “Eu admiti a possibilidade de ser candidato ao governo porque a história exigia que alguém se manifestasse para não deixar entre Eduardo, Wilson e Amazonino como acabou acontecendo”, disse Plínio ao lembrar que sua candidatura não foi autorizada pelo partido, que apoiou Amazonino Mendes. “Com toda pureza d’alma, não passa na minha cabeça em nenhum minutos ser candidato a prefeito de Manaus”.

Plínio disse que a eleição 2022 lhe deixou lições e, embora não candidato a prefeito, vai manifestar apoio a alguém com certeza. “Eu tenho obrigação de apoiar um candidato. Não fazer o que eu fiz agora para governado, onde eu não acreditava em nenhum dos dois”, disse Plínio, que não manifestou apoio a candidatos na eleição.

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