Coluna do Jota Garcia

Racha no PL expõe disputa entre Eduardo, Nikolas e Michelle e tensiona pré-campanha de Flávio

Foto: Miguel Schincariol/AFP

(Folhapress) — O racha interno no PL se aprofundou nos últimos dias. Trocas públicas de farpas, cobranças diretas e indiretas nas redes sociais e acusações veladas escancararam a disputa por protagonismo dentro do bolsonarismo.

O embate envolve o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). No centro da tensão está a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL).

O estopim: ato convocado por Nikolas

O novo capítulo começou em 12 de fevereiro, quando Nikolas anunciou uma manifestação para 1º de março sob o lema “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), durante manifestação em Brasília, no domingo (25) – Sergio Lima/AFP

No entanto, deputados do PL por São Paulo reagiram rapidamente. Federais e estaduais lançaram nova convocação nas redes sociais, retiraram o “Fora, Toffoli” e priorizaram a pauta da anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro e a derrubada do veto ao PL da Dosimetria.

Além disso, criaram um grupo de WhatsApp para organizar o ato na avenida Paulista, o que, na prática, esvaziou a liderança de Nikolas.

Esses parlamentares seguem a linha do senador Flávio Bolsonaro, que evita explorar politicamente o impeachment do ministro Dias Toffoli, pressionado por conexões com o banco Master.

Para o deputado Mário Frias (PL), a prioridade deveria ser outra:

“Para mim, não tem pauta mais importante no Brasil hoje do que [lutar para que] essas pessoas [os presos pelo 8 de janeiro] voltem para casa.”

Eduardo cobra apoio e expõe insatisfação

Na sexta-feira (20), Eduardo Bolsonaro tornou pública uma cobrança que circulava nos bastidores.

Novo racha bolsonarista tem cobrança de Eduardo, briga com Nikolas, e Michelle fritando ‘bananinha’ Foto: Reprodução

Em entrevista ao SBT News, ele criticou a falta de apoio de Nikolas e Michelle à pré-campanha do irmão:

“Nikolas e Michelle estão jogando o mesmo jogo. (…) Eu não vi nenhum apoio da Michelle, nenhum post a favor do Flávio.”

Segundo aliados, Eduardo avalia que Nikolas tenta se descolar da família Bolsonaro para fortalecer a própria imagem e ampliar seu capital político.

Por outro lado, aliados de Nikolas classificaram as críticas como “dor de cotovelo” e disputa por protagonismo, especialmente após a caminhada liderada por ele de Minas Gerais a Brasília contra as prisões do 8 de Janeiro.

Eles afirmam que a pauta da anistia está incluída no ato convocado por Nikolas — mas ressaltam que o grupo contrário não se engajou na defesa do impeachment de Toffoli.

Michelle e o episódio da “banana frita”

O clima esquentou ainda mais no sábado (21). Um dia após a cobrança pública do enteado, Michelle Bolsonaro publicou no Instagram uma imagem de rodelas de banana fritando.

“Ele ama banana frita”, escreveu, referindo-se ao marido preso na Papudinha.

Michelle Bolsonaro publicou nas redes uma imagem de bananas fritas; entorno de Eduardo Bolsonaro interpretou como um deboche contra ele. Foto: Reprodução/Redes sociais

Aliados de Eduardo interpretaram o post como deboche, já que o ex-deputado é chamado pejorativamente de “bananinha”.

No dia seguinte, Eduardo repostou um tuíte de um apoiador:

“Continuem fritando banana enquanto o Flávio e o Eduardo estão trabalhando duro para resgatar o país.”

A resposta pública consolidou a percepção de ruptura interna.

Nikolas reage: “Eduardo não está bem”

Também no sábado (21), após visitar Bolsonaro na prisão, Nikolas respondeu às críticas. Disse estar acostumado a ataques, defendeu Michelle e afirmou que Eduardo “não está bem”.

No domingo, o vereador mais votado de Belo Horizonte, Pablo Almeida (PL), ex-assessor de Nikolas, publicou trecho de sete segundos de um vídeo no qual Eduardo afirma:

“Pode prender meu pai. Talvez vá condená-lo à morte, lamento. É triste? Com certeza.”

Aliados de Eduardo acusaram Almeida de deturpar o conteúdo para sugerir que ele não se importa com o pai.

O deputado estadual Lucas Bove (PL) reagiu duramente no X:

“Pablo quem??? Mais um 3i: ingrato, irrelevante e imbecil!!!”

Mário Frias defendeu “punição institucional” ao vereador e classificou o episódio como “baixo nível”.

Ruído com Valdemar Costa Neto

O fim de semana ainda registrou tensão entre Carlos Bolsonaro e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Ato projeta Nikolas como novo nome da direita e aprofunda racha entre os Bolsonaro Foto: Reprodução

Carlos afirmou que Jair Bolsonaro prepara uma lista de pré-candidatos ao Senado e aos governos estaduais.

Valdemar respondeu ao portal Metrópoles que todos no partido têm direito de indicar nomes.

Em seguida, Carlos escreveu no X:

“Me parece que as coisas estão meio desencontradas sem querer querendo! As peças todas parecem se encaixar.”

Ele também insinuou isolamento político do pai:

“Deixar o preso político isolado e fazendo isso que estamos vendo (…) está cada dia mais… estranho!”

Disputa por controle da direita

O episódio revela uma disputa mais profunda: quem controlará os rumos da direita bolsonarista em 2026.

De um lado, o núcleo familiar tenta consolidar a pré-candidatura de Flávio.
De outro, figuras como Nikolas buscam ampliar protagonismo nacional.

No meio do embate, Michelle Bolsonaro mantém capital político próprio e, segundo aliados, teria ficado decepcionada com a escolha de Flávio como nome preferencial do grupo.

O racha, antes restrito aos bastidores, agora se desenrola em público — e tende a se intensificar à medida que o calendário eleitoral avança.

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