Um júri de Los Angeles considerou que Meta e Google criaram intencionalmente redes sociais viciantes que prejudicaram a saúde mental de uma jovem identificada apenas como Kaley, hoje com 20 anos. O veredito, proferido pela juíza Carolyn Kuhl em 25/3, divide a responsabilidade em 70% para a Meta e 30% para o YouTube, segundo o texto-base.
Além disso, a decisão tende a influenciar centenas de ações semelhantes que já tramitam nos tribunais americanos, porque reconhece nexo entre design/plataformas e dano alegado pela vítima.
Por que o julgamento é considerado histórico
O caso ganha peso por dois motivos. Primeiro, porque o júri aceitou a tese de que as empresas projetaram mecanismos capazes de prender a atenção de jovens, com consequências para a saúde mental. Segundo, porque a derrota em julgamento — e não apenas um acordo — cria um marco que pode orientar outras disputas judiciais.
O que a Meta disse e como tentou se defender
A Meta afirmou que discorda do veredito e avalia medidas legais. Durante o julgamento, a empresa sustentou que, embora Kaley tenha enfrentado dificuldades, o uso do Instagram não causou nem contribuiu de forma significativa para esses problemas.

Ao mesmo tempo, Mark Zuckerberg reforçou a política de não permitir usuários menores de 13 anos. No entanto, quando confrontado com documentos internos sobre crianças na plataforma, ele disse que queria avanços mais rápidos na identificação desses perfis.
E-mails internos e pesquisas viraram munição no tribunal
A acusação destacou mensagens internas e pesquisas que sugerem que executivos discutiam:
- restrições de idade “não aplicadas”;
- sensação de “vício” relatada por adolescentes;
- e metas para ampliar tempo de uso e recuperar adesão de jovens.
Além disso, um material citado no julgamento apontava debate sobre retenção de pré-adolescentes, apesar de a empresa alegar que eles não poderiam usar a plataforma. Zuckerberg disse que o documento foi tirado de contexto e também citou aspectos positivos apontados em pesquisas.
Snap e TikTok saíram antes: acordos confidenciais
Embora o Google também estivesse no processo, o julgamento se concentrou mais em Instagram e Meta. Já Snap e TikTok chegaram a acordos confidenciais com a autora antes de o caso ir a veredito.
O clima no tribunal e o debate público
O texto-base relata a presença de familiares enlutados acompanhando o julgamento. Uma mãe, por exemplo, cobrou mudanças para reduzir danos em plataformas. Esse pano de fundo reforçou a dimensão social do caso e a pressão por ajustes nos algoritmos e nas práticas voltadas a menores.
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