Coluna do Jota Garcia

Antaq proíbe “taxa de pouca água” e impõe nova regra para transporte de contêineres no Amazonas

Grandes empresas de navegação cobravam a ‘Taxa de Seca’ para transporte de cargas em Manaus Foto: Super Terminais/Divulgação
Decisão encerra prática abusiva e cria parâmetros técnicos para reajustes durante a estiagem

MANAUS — A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) proibiu a cobrança da chamada “taxa de pouca água”, imposta por armadores internacionais no transporte de contêineres com destino a Manaus.

A medida encerra uma prática considerada abusiva por empresários e especialistas em logística. Segundo o setor, o valor — que chegava a US$ 5 mil por contêiner — elevava o custo do frete e, por consequência, encarecia os produtos vendidos no Amazonas.

Critérios técnicos e transparência

A nova portaria estabelece que a taxa só poderá ser cobrada se o rio Negro atingir 17,7 metros, com aviso prévio obrigatório às empresas de navegação.
Nesta segunda-feira (27), o Porto de Manaus registrou 19,33 metros de profundidade, o que afasta qualquer possibilidade de cobrança.

A decisão traz previsibilidade e segurança ao transporte fluvial, fundamental para o abastecimento do estado.

Pressão do setor produtivo

A mudança ocorre após reclamações de empresários e entidades da indústria e do comércio amazonense, que denunciaram à Antaq cobranças indevidas durante períodos de cheia.

Foto: Reprodução

Armadores justificavam a taxa como compensação pelos custos extras da navegação em épocas de seca, quando o nível do rio baixa e o tráfego se torna mais complexo.
Contudo, o setor produtivo relatou que a cobrança era mantida mesmo com o rio em níveis normais, o que aumentava injustamente o preço do frete e afetava toda a cadeia da Zona Franca de Manaus.

“Pagávamos por um risco inexistente. Essa portaria corrige uma distorção que penalizava quem produz e consome no Amazonas”, afirmou um representante da indústria.

Impacto econômico e previsibilidade

Com a nova regra, a Antaq define parâmetros técnicos claros para reajustes tarifários e impede aumentos sem comprovação hidrológica.
Especialistas avaliam que a portaria fortalece a competitividade da Zona Franca e reduz distorções históricas no transporte fluvial da região.

“A falta de critério vinha encarecendo o frete de forma desproporcional. Agora, o setor ganha estabilidade e transparência”, explicou um consultor logístico.

Reação positiva

A decisão foi amplamente comemorada por empresários, sindicatos e operadores portuários, que a consideram um marco regulatório para o transporte fluvial amazônico.

Além de corrigir abusos, a medida reforça o papel da Antaq como agente de equilíbrio e transparência, essencial para garantir preços justos e previsibilidade econômica.

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