Coluna do Jota Garcia

Banco de Edir Macedo opera nos moldes do Master e acende alerta no mercado

Foto: Divulgação

O escândalo do finado Banco Master segue gerando ondas de choque no mercado. No entanto, uma nova crise ganhou espaço. Ela envolve o Digimais, banco controlado pelo bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, cuja força política passa pelo Republicanos. Segundo estimativas de mercado citadas no texto-base, o patrimônio líquido da instituição está negativo em cerca de R$ 8,5 bilhões.

Desde que o Master colapsou, o mercado começou a examinar bancos menores com lupa. O motivo é simples: uma quebra em série pode estourar o caixa do FGC. Depois da liquidação do Master, o Banco Central liquidou ou interveio em instituições ligadas ao entorno de Vorcaro. O texto cita Will Bank, corretora Reag, banco Pleno, Banif e o ex-sócio Augusto Lima (com tornozeleira).

Agora, o Digimais entra nesse radar.

Semelhanças com o Master: CDB caro, “isca” do FGC e distribuição por plataformas

O texto-base afirma que o Digimais opera de forma parecida com o Master em pontos-chave. Primeiro, ele tenta inflar artificialmente o patrimônio de fundos para melhorar o balanço. Depois, com números mais “bonitos”, ele emite mais CDBs.

Sede do Banco Master em São Paulo — Foto: Maria Isabel Oliveira/O Globo

Além disso, o banco oferece taxas agressivas. O material cita papéis a até 125% do CDI. Em seguida, ele usa como argumento de venda a garantia do FGC, limitada a R$ 250 mil por depositante.

Por fim, o texto afirma que plataformas como XP e BTG ajudaram a espalhar os papéis na praça, nos moldes do que ocorreu com o Master.

Carteiras de crédito “falsas”: fundo diz ter pago R$ 650 milhões e auditoria aponta 22 mil contratos sem lastro

A crise do Digimais inclui uma disputa judicial. O caso corre na 13ª Vara de São Paulo, segundo o texto. O fundo EXP1 acusa o Digimais de vender carteiras de crédito consignado fraudulentas.

O material detalha a linha do tempo:

  • Em 28 de fevereiro do ano passado, o EXP1 pagou R$ 650 milhões pelas carteiras.
  • O fundo esperou a documentação comprobatória. Porém, o banco teria adiado a entrega e só apresentou papéis em maio, três meses depois.
  • Em seguida, o EXP1 contratou a UHY International Bendoraytes para auditar os créditos.
  • Em agosto, a auditoria entregou relatório e apontou fraude. Dos 55 mil contratos, 22 mil não tinham lastro.
  • Esses 22 mil eram justamente o “grosso” da carteira: R$ 500 milhões.

O texto afirma ainda que essas carteiras sem lastro tinham créditos do Master e da Reag.

O fundo cobrou explicações. Segundo o material, o Digimais confirmou a fraude ao admitir que os créditos não existiam. Depois, ele ofereceu novas carteiras. O EXP1 recusou. Ele citou o mesmo problema: os originadores seriam os mesmos, Reag e Master.

Pressão política e ano eleitoral: Digimais pode virar “moeda de troca”?

O texto diz que o Digimais pode gerar turbulência por causa do peso político do Republicanos, ligado à bancada evangélica e ao Centrão.

A análise levanta uma pergunta que circula no mercado: até que ponto o Banco Central vai agir com dureza diante do risco de reação política? O material lembra que o Master demorou mais de três anos para ser liquidado, sob pressão.

O texto cita ainda o cálculo eleitoral: Lula buscaria apoio para enfrentar Flávio Bolsonaro em um ano de eleição, e o Republicanos ainda não teria fechado posição presidencial, segundo um observador citado.

Bendine no comando: troca de presidente e “ponte” com o PT

O texto-base descreve uma virada interna no Digimais. Durante a briga judicial com o EXP1, o banco trocou o presidente. Saiu Thiago Urbaneja. Entrou Aldemir Bendine.

O material afirma que Bendine se recusou a fazer o estorno. Além disso, o texto relata que o mercado ironiza a escolha: um bispo de extrema direita teria colocado alguém ligado ao PT para negociar em um ambiente sensível, com o BC presidido por Gabriel Galípolo, apontado como identificado com a esquerda.

O texto também lembra que Bendine foi preso em 2017 na Lava Jato, acusado por delatores de pedido de propina de R$ 3 milhões.

A “Reag do Digimais”: ID cresce, tem ex-Master e vira centro das desconfianças

O material diz que o Digimais tem conexões relevantes com o Master. Ele cita “mesmas classes de ativos”, “mesmos gestores” e “mesmos administradores”.

Imagem: IA

Nesse ponto, aparece a corretora ID. Ela administra fundos do Digimais e tem sócios oriundos do Master. O texto cita Rodrigo Balassiano, ex-executivo da corretora do Banco Master, como dirigente na ID.

O texto afirma que, no meio da crise do Master e da Reag, a ID elevou patrimônio para R$ 5,2 bilhões. Isso gerou suspeitas de que a corretora absorve carteiras da Reag, que gerenciava mais de 600 fundos ligados ao Master.

Além disso, o material acusa a ID de ter reputação contestada. Ele afirma que o sócio José Roberto Giancoli Filho foi investigado pela CVM por irregularidades entre 2008 e 2011. O texto também diz que a ID responde a 204 processos judiciais.

A origem: de Banco Renner ao Digimais, e o papel do BC

O texto conta que Edir Macedo entrou no setor em 2009, comprando 40% do Banco Renner. Em 2013, ele chegou a 49%. Em 2020, ele comprou 100% e rebatizou como Digimais. Ele também transferiu a sede de Porto Alegre para São Paulo.

O material afirma que o BC levou sete anos para permitir a transferência integral do controle, o que só ocorreu em 2020, no governo Bolsonaro.

Depois da compra, Macedo colocou João Urbaneja no comando. O texto afirma que ele não tinha qualificação técnica e nunca trabalhou no mercado financeiro. Ainda assim, o BC aprovou a indicação, segundo o texto-base.

Prejuízos, auditorias trocadas e ativos “podres”: como o rombo teria aparecido

O texto afirma que o Digimais já tinha problemas graves em 2022, quando registrou prejuízo acima de R$ 740 milhões.

Depois, o BC exigiu troca de presidente. Urbaneja saiu, mas colocou o filho Thiago Urbaneja, de 41 anos, também descrito como neófito.

O BC então exigiu conselheiros técnicos. O texto cita a ex-presidente da Caixa, Daniella Marques Consentino, como presidente do conselho. Seis meses depois, ela saiu junto com outros conselheiros.

Já no ano passado, o BC exigiu que Macedo colocasse R$ 250 milhões no banco. Ele colocou, segundo o texto. Porém, o material afirma que ele retirou R$ 2 bilhões da Record que estavam investidos na instituição. O texto conclui: isso deixaria R$ 1,75 bilhão de risco adicional para o FGC em caso de quebra.

O texto também descreve ativos “encontrados” no balanço:

  • títulos da Vale de 1920, precificados pela ID em R$ 650 milhões, mas “na verdade não valiam nada”;
  • terrenos na Bahia lastreando o fundo Goiana, precificados em R$ 150 milhões, mas “valiam menos de R$ 10 milhões”.

Com a retirada desses ativos, “o real balanço apareceu”, segundo a fonte citada. Aí surgiria o rombo de quase R$ 8,5 bilhões.

FGC entra no jogo e discute divisão do rombo: 70%/30%

O texto diz que o FGC teme nova pancada após perder quase metade do patrimônio com o Master. Por isso, ele teria analisado balanços do Digimais.

O material também afirma que o banco trocou três vezes de auditoria entre 2024 e agora, e que essas trocas teriam removido ressalvas anteriores.

Em fundos específicos, o texto lista problemas detalhados:

  • Alpha: PL R$ 545 milhões; 100% em empresas não listadas.
  • Omega: PL R$ 316 milhões; demonstrações não auditadas.
  • Abel: PL R$ 141 milhões; 100% em controladas/coligadas.
  • Delta: PL R$ 115 milhões; 100% em uma empresa “desconhecida”.
  • Tabor: PL R$ 1,1 bilhão; 31% do saldo em operações vencidas.

No fim, o texto diz que o FGC já trabalha com um cenário: o prejuízo cairá na conta do fundo. Por isso, ele teria proposto ao controlador que o FGC assuma 70% da dívida e o controlador cubra 30% do rombo de R$ 8,5 bilhões.

Se o banco quebrar, o plano seria fazer leilão para bancos sólidos. O texto cita disputa entre BTG e Nubank.

O que o Digimais respondeu

O texto-base traz a resposta do banco. Ele diz que o plano foca em “fortalecimento patrimonial” e “reestruturação de passivos de longo prazo”. Além disso, afirma que busca “sustentabilidade operacional” e uma sucessão de controle que preserve a “higidez” da instituição.

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