Coluna do Jota Garcia

Deltan e Moro combinam uso de dinheiro público para campanha publicitária

Além das suspeitas de coordenação de ações da Lava Jato, um novo diálogo vazado mostrou que Sergio Moro autorizou o procurador Deltan Dallagnol a usar dinheiro da 13ª Vara Federal de Curitiba para campanha publicitária.

O trecho faz parte da série de conversas obtidas pelo The Intercept Brasil, publicadas pelo jornalista Reinaldo Azevedo nesta segunda-feira (15).

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Em 16 de janeiro de 2016, Deltan, atual coordenador da Operação, enviou uma mensagem a Moro para saber se seria possível usar R$ 38 mil para divulgar uma peça na Rede Globo. “A produtora está cobrando apenas custos de terceiros, o que daria uns 38 mil.”

“Se for so uns 38 mil achi [quis escrever “acho”] que é possível. Deixe ver na terça e te respondo”, respondeu Moro um dia depois.

A peça em questão era uma propaganda de uma medida que chegou ao Congresso de forma civil, encabeçada por Deltan e outros colegas. Entre os pedidos, estavam a abolição de habeas corpus, ampliação dos casos de prisão preventiva e admissão em juízo de provas ilegais – desde que colhidas de boa fé.

Entenda o caso das mensagens vazadas pelo ‘Intercept’

A série de reportagens do ‘Intercept’ começou no dia 9 de junho, um domingo. Na primeira leva de matérias, o site divulgou uma série de mensagens trocadas entre Moro e Dallagnol.

Nessa primeira leva, as acusações contra Moro ficaram por conta de um suposto direcionamento que ele dá para a Lava Jato internamente. Entre outros, o portal apresenta mensagens que mostrariam que Dallagnol duvidada de provas contra Lula, além de colaboração proibida do então juiz com o procurador.

Mais tarde, em 14 de junho, o ‘Intercept’ seguiu suas publicações com mais material contra Moro. Nas novas mensagens divulgadas, há um diálogo horas depois do primeiro depoimento prestado por Lula à Lava Jato.

Neste diálogo, Moro teria proposto ao Ministério Público a publicação de uma nota à imprensa. Nela, haveria conteúdo que esclarecesse o que Moro chama de “contradições” do ex-presidente, no que ele se refere como um “showzinho” da imprensa.

Juiz do TRF-4 adiantou ao MPF que provas eram ‘fracas’

Na sexta-feira (12), mensagens trocadas pelo Telegram entre procuradores do MPF (Ministério Público Federal) revelam que um juiz do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) adiantou aos envolvidos na investigação da operação Lava Jato de que as provas apresentadas contra um réu eram “fracas”.

As novas mensagens foram atribuídas ao procurador-chefe Deltan Dallagnol e outros procuradores. O magistrado do TRF-4 citado pela revista é o desembargador João Pedro Gebran Neto, que atua como relator dos casos da operação que chegam ao órgão encarregado de julgar em segunda instância os processos da Lava-Jato em Curitiba.

Os diálogos nos quais Gebran é citado se referem a Adir Assad, acusado de ser um dos operadores de propinas da Petrobras. Assad foi preso pela primeira vez em março de 2015, e em setembro do mesmo ano foi condenado pelo então juiz Sergio Moro a 9 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Mensagens trocadas apontam que, com o caso de Assad submetido à segunda instância no TRF-4 e sob análise de Gebran, Deltan Dalla­gnol comentou, no dia 8 de fevereiro de 2017, em um chat com outros colegas do MPF que o desembargador o adiantou um parecer sobre as provas apresentadas pela acusação contra Assad.

Dallagnol comemora proibição de entrevista de Lula

No primeiro áudio vazado do grupo da Lava Jato no Telegram, o procurador Deltan Dallagnol comemora uma liminar do ministro do STF Luiz Fux que proibia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de conceder uma entrevista. O arquivo foi divulgado pelo site The Intercept Brasil nesta terça-feira (9).

Datado de setembro de 2018, os participantes do grupo reclamavam da decisão de Ricardo Lewandoski, também do Supremo, ao autorizar Lula, preso em Curitiba, a conceder uma entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

Após procuradoras chamarem os envolvidos de “mafiosos”, Deltan apazigua os ânimos com a informação da liminar de Fux: