Coluna do Jota Garcia

Editoral – Mais um ano de garantia de luta, sem medo de ser feliz

Por Jota Garcia

No último dia de 2025, o Blog do Pávulo faz o que sempre prometeu — e sempre entregou: reafirma sua proposta original de jornalismo independente, combativo e profundamente comprometido com a cidadania plena. Sem pedir licença. Sem baixar a cabeça. Sem medo de ser feliz, porque a felicidade, neste ofício, não está no aplauso fácil, mas na consciência limpa.

Há quem confunda jornalismo com convivência social. Não é. Jornalismo é conflito. É atrito. É incômodo. É a arte de fazer perguntas que alguns prefeririam jamais ouvir. E, quando necessário, é o dever de apontar o dedo — não por vaidade, mas por responsabilidade pública.

Ao longo deste ano, o Blog do Pávulo enfrentou o que precisa ser enfrentado: a ala podre da Polícia Civil, os corredores silenciosos do TJAM, as omissões e seletividades do MPAM. Não enfrentamos instituições — enfrentamos desvios, condutas, práticas e pessoas que usam o poder público como escudo para interesses privados. Instituições são maiores que seus maus integrantes; quem as apequena são os que traem sua função constitucional.

Não foi fácil. Nunca é.

Pressões vieram de todos os lados. Algumas elegantes, travestidas de “conselhos”. Outras diretas, com o tom clássico de quem acredita que o poder se exerce pelo medo. Houve tentativas de desqualificação, silêncios estratégicos, ameaças veladas e recados claros demais para serem ignorados. O cardápio é antigo e conhecido no jornalismo brasileiro: quando a verdade aperta, o sistema reage.

Mas aqui há um detalhe que os operadores da intimidação insistem em subestimar: o medo muda de lado quando o jornalista decide não recuar.

O Blog do Pávulo não se arredou um centímetro de sua missão. Não negociou linha editorial. Não trocou silêncio por conveniência. Não confundiu prudência com covardia. Porque cidadania plena não é concessão graciosa do Estado — é direito. E direito não se pede em tom baixo: se exige com argumentos, provas e persistência.

Este é um jornalismo que entende o poder como ele é: transitório, humano, falho e, muitas vezes, perigosamente seduzido pela impunidade. É por isso que incomodamos. Não porque exageramos, mas porque documentamos. Não porque inventamos, mas porque lembramos. Em um país que aposta no esquecimento como política pública, lembrar é um ato subversivo.

Há quem chame isso de radicalismo. Não é. Radical é naturalizar a corrupção. Radical é aceitar que a lei funcione apenas para os de baixo. Radical é fingir que abusos institucionais são “casos isolados” quando se repetem como método. O que fazemos aqui tem outro nome: jornalismo.

Fechamos 2025 com a certeza de que não somos perfeitos, mas somos coerentes. Erramos, corrigimos, publicamos, sustentamos. Não somos parte de alas, grupos ou conluios. Nosso compromisso não é com corporações, mas com o leitor — esse personagem quase esquecido em muitos gabinetes e redações.

Se incomodamos policiais corruptos, magistrados omissos ou membros do Ministério Público seletivamente cegos, é sinal de que estamos no caminho certo. O silêncio deles nunca foi nossa meta; a transparência, sim.

O próximo ano virá com novos desafios, novas pressões e as velhas tentativas de domesticação. Encontrará, porém, o mesmo Blog do Pávulo: atento, desconfiado, firme e — apesar de tudo — feliz. Feliz porque resistir, em tempos de acomodação, é uma forma legítima de alegria.

Seguimos. Sem medo. Sem concessões.

E, como sempre, sem medo de ser feliz.