Coluna do Jota Garcia

Gaza: mais de 100 crianças morreram após cessar-fogo, denuncia Unicef

Crianças e adultos palestinos se deslocam para o sul de Gaza após ordem de Israel, em 21 de setembro de 2025 — Foto: REUTERS/Mahmoud Issa
Organização questiona eficácia da trégua firmada em outubro

Mais de 100 crianças morreram na Faixa de Gaza desde o início do cessar-fogo firmado em outubro entre Israel e o Hamas, denunciou o Unicef nesta terça-feira (13/1).

A denúncia partiu de James Elder, porta-voz da agência da ONU, durante coletiva de imprensa realizada no Palácio das Nações, em Genebra, na Suíça.

“Isso representa, na prática, a morte de uma criança por dia, mesmo durante um cessar-fogo”, afirmou Elder.

Violência diminuiu, mas continua

Segundo o Unicef, os bombardeios e os tiroteios diminuíram desde a trégua. No entanto, eles não cessaram completamente.

Foto: Reprodução CGTN

De acordo com Elder, os dados indicam a morte de cerca de 60 meninos e 40 meninas. Ainda assim, o número pode ser maior, já que dificuldades de acesso impedem a contagem total das vítimas.

“Um cessar-fogo que continua enterrando crianças não basta”, alertou o porta-voz.
Ele afirmou que ataques aéreos, drones, tanques e disparos com munição real seguem atingindo civis, inclusive crianças.

Crianças feridas carregam sequelas

Durante a coletiva, Elder relatou o caso de Abid Al Rahman, de 9 anos.
O menino sofreu ferimentos graves após um ataque aéreo e ainda tem estilhaços de metal alojados no olho direito.

Segundo o Unicef, episódios como esse revelam que a violência não causa apenas mortes. Ela também deixa marcas físicas e psicológicas permanentes em crianças sobreviventes.

Bloqueios agravam crise humanitária

Além da violência, o Unicef alertou para a permanência de restrições severas em Gaza.
A organização afirmou que faltam medicamentos, combustível, gás de cozinha e peças essenciais para sistemas de água e saneamento.

Como consequência, a população civil enfrenta dificuldades diárias. Crianças, mais uma vez, estão entre as mais afetadas.

Conflito segue após a trégua

Desde outubro de 2023, ao menos 70 mil pessoas morreram na Faixa de Gaza em decorrência dos ataques israelenses, segundo o Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas.

Mesmo após o cessar-fogo, Israel continuou realizando operações pontuais no território. Desde o início da trégua, mais de 350 palestinos morreram, a maioria civis, segundo autoridades locais.

No último domingo (11/1), o Hamas afirmou que aceita dissolver seu governo em Gaza e transferir a administração do território para uma autoridade palestina independente. O porta-voz Hazem Qassem divulgou a posição como parte das negociações ligadas ao cessar-fogo.

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