Decisão ignora posição do governo brasileiro e amplia tensão diplomática em meio ao cenário eleitoral
BRASÍLIA — Os Estados Unidos oficializaram, nesta quinta-feira (28), a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida passa a valer a partir de 5 de junho e já provoca impactos políticos, jurídicos e diplomáticos.
A decisão ocorre logo após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington, onde se reuniu com o ex-presidente Donald Trump e integrantes do governo americano, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio.

Decisão ocorre em meio a pressão política internacional
Segundo autoridades americanas, as facções brasileiras representam ameaça regional e potencial risco à segurança dos Estados Unidos.
Pelas redes sociais, Marco Rubio afirmou:
“Essas organizações estão entre as mais perigosas do Brasil. Seu alcance se estende por toda a região e ao nosso país.”
Além disso, o governo Trump sinalizou que utilizará instrumentos legais e financeiros para bloquear recursos e impedir qualquer tipo de apoio às facções.
Visita de Flávio Bolsonaro ganha protagonismo
A decisão também acontece em um momento politicamente sensível.
Durante a viagem, Flávio Bolsonaro se reuniu por cerca de 30 minutos com Rubio e defendeu o endurecimento das medidas contra o crime organizado. Após o anúncio, o senador comemorou publicamente e classificou o dia como “um grande marco”.

Nos bastidores, a articulação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo o próprio Flávio e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, já vinha pressionando autoridades americanas pela designação.
Inclusive, segundo relatos de reuniões, Trump teria reagido ao tema afirmando:
“Temos que ajudar esses caras.”
Governo Lula tentou barrar classificação
Por outro lado, o governo brasileiro adotou posição contrária à medida.
Nos últimos meses, o Palácio do Planalto buscou negociar um acordo bilateral de combate ao crime organizado, evitando a classificação como terrorismo. A avaliação interna é de que a medida pode abrir margem para interferência externa em território nacional.
O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, reforçou essa preocupação:
“Equiparar o crime organizado ao terrorismo não é útil. É preciso compreender as motivações para combater com eficácia.”
O que muda com a classificação
Com a nova designação, os EUA passam a adotar medidas mais rígidas:
- bloqueio de ativos financeiros ligados às facções
- proibição de entrada de integrantes no país
- criminalização de apoio direto ou indireto
- monitoramento internacional de transações
Além disso, bancos e instituições financeiras americanas ficam obrigados a reportar qualquer movimentação suspeita vinculada aos grupos.
Debate jurídico e político se intensifica
Apesar da decisão, há divergência sobre a definição de terrorismo.
No Brasil, a legislação limita o conceito a atos com motivação ideológica, religiosa ou discriminatória. Já autoridades americanas adotam critérios mais amplos, incluindo ameaças à segurança nacional.
Especialistas e membros do Ministério Público apontam que, embora violentas, as facções brasileiras não possuem motivação política clássica — o que levanta questionamentos sobre a adequação da classificação.
Impacto eleitoral e geopolítico
A medida também ocorre em meio à pré-campanha presidencial de 2026.

Aliados do governo Lula avaliam que o tema pode ser explorado politicamente pela oposição. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação sobre possíveis desdobramentos internacionais e influência externa no debate eleitoral brasileiro.
Enquanto isso, PCC e CV seguem com atuação consolidada no Brasil e expansão internacional, com presença em diversos países da América Latina.
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