Governo da Nicarágua e oposição buscam consenso para avançar em negociações

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O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, reunido com membros da oposição e o cardeal Leopoldo Brenes, em Manágua, em 27 de fevereiro de 2019

O governo da Nicarágua e a oposição retomam nesta segunda-feira (4) as negociações em busca de um consenso sobre o roteiro que acordaram nesta semana para sair da grave crise que abala o país.

As conversas entre o governo e os opositores estagnaram na sexta-feira devido a dois pontos-chave desse roteiro: a inclusão de garantidores internacionais e uma mediação.

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Os dois pontos são considerados “fundamentais” para entrar na quarta sessão de práticas que acontecem a portas fechadas no Instituto Centro-americano de Administração de Empresas (INCAE) desde quarta-feira.

“É fundamental ter regras claras, definidas e acordadas para garantir um ambiente de paz e segurança. Este roteiro também nos indicará o nível de compromisso do governo com esse processo”, segundo um comunicado da aliança.

O governo de Daniel Ortega rejeita que haja garantidores como a Organização de Estados Americanos (OEA), Nações Unidas (ONU) e a União Europeia (UE), como propõe a opositora Aliança Cívica pela Justiça e Democracia (ACJD), segundo fontes próximas às conversas.

Nove dos 12 pontos que estão contidos no roteiro foram aprovados na primeira sessão de trabalho, informaram as partes, sem dar detalhes do acordado.

“É importante haver garantidores internacionais que contem com a confiança” de todos para que se cumpram os acordos que forem alcançados, declarou à imprensa a delegada suplente pela Aliança, Azahálea Solís.

“Não pode haver garantidores porque não houve acordo”, assinalou o deputado liberal Wilfredo Navarro, aliado do governo no Parlamento e um de seus representantes nas negociações.

“Ortega acha que está em um de seus clássicos jogos com os quais está acostumado; ao engano, à mentira; quer enganar o adversário (…) ele não quer garantidores nem testemunhas”, disse à AFP Hugo Torres, general reformado e duro crítico do presidente.

A presença da OEA e da ONU “é fundamental”, são uma espécie de árbitros que vão certificar que as partes cumpram o acordado, e a sua ausência pode ter “consequências para aplicar sanções, neste caso para o regime de Ortega”, apontou Torres.

Segundo ele, ambas as organizações não são do agrado de Ortega porque a OEA pediu para aplicar a Carta Democrática à Nicarágua, e a ONU, em um relatório sobre a situação dos direitos humanos, denunciou o uso excessivo da força contra os protestos e não encontrou provas de um golpe de Estado como o governo alega.

Versões da imprensa atribuídas a fontes próximas à negociação indicam que Ortega tampouco aceita a Igreja Católica como mediadora, como aconteceu no primeiro diálogo, suspenso em junho de forma unilateral.

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