Atualmente, circula nas redes sociais um vídeo em que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirma que o governo passou a “monitorar transações via Pix”.
Segundo ele, essa medida teria ocorrido de forma “escondida”, por meio de uma instrução normativa publicada em agosto de 2025.
No entanto, essa afirmação não procede.
Na prática, o governo não monitora o Pix em tempo real e não tem acesso a dados sensíveis das transferências.
Norma não cria controle específico sobre o Pix
Antes de tudo, é preciso esclarecer o conteúdo da norma citada.
Ela não institui monitoramento em tempo real, tampouco cria um controle exclusivo sobre o Pix.

Além disso, a regra não representa novidade no sistema de fiscalização.
Na verdade, ela apenas estendeu às fintechs obrigações que bancos tradicionais já cumprem há anos.
Assim, o Pix segue submetido às mesmas regras já existentes para outras modalidades de pagamento.
Receita recebe dados agregados e periódicos
Nesse contexto, todas as instituições financeiras devem informar à Receita Federal movimentações superiores a R$ 5 mil.
Isso vale, portanto, para Pix, TED, DOC e demais operações.
Esses dados chegam à Receita de forma semestral.
Além disso, não incluem informações como origem, destino ou motivo da transação.
Dessa forma, o sigilo bancário e fiscal permanece preservado.
Deputado nega ter falado em taxação ou monitoramento ao vivo
Em nota pública, Nikolas Ferreira afirmou que não mencionou monitoramento em tempo real.
Do mesmo modo, negou ter falado em taxação do Pix.
Ver essa foto no Instagram
Segundo o parlamentar, o ponto central seria apenas a ampliação da obrigação de envio de dados.
Ainda assim, especialistas reforçam que essa fiscalização já existia desde 2020, quando o Pix foi criado.
Repercussão gera reações no Congresso
Enquanto isso, o vídeo alcançou 4,1 milhões de curtidas no Instagram.
Diante da repercussão, parlamentares acionaram órgãos de controle.
O vice-líder do governo na Câmara, Rogério Correia, apresentou pedido à Advocacia-Geral da União.
O objetivo é apurar difusão reiterada de desinformação qualificada.
Por outro lado, a deputada Erika Hilton acionou o Ministério Público Federal.
Ela pediu abertura de procedimento para investigar divulgação de informações falsas ou incompletas.
Norma de 2024 foi revogada após onda de desinformação
Em janeiro de 2025, Nikolas já havia divulgado vídeo semelhante.
Na ocasião, ele afirmou que uma instrução permitiria monitoramento financeiro e abriria caminho para taxação.

Contudo, a norma não previa essas medidas.
Mesmo assim, o conteúdo gerou temor entre consumidores e comerciantes.
Por isso, o governo federal revogou a instrução.
Em seguida, editou uma Medida Provisória para reforçar a gratuidade do Pix e o sigilo das transações.
O que estabelece a norma de agosto de 2025
Posteriormente, a Instrução Normativa nº 2.278/2025 entrou em vigor.
Ela trata do combate a crimes tributários e financeiros, como lavagem de dinheiro e fraudes.
Nesse sentido, a norma determina que instituições de pagamento sigam as mesmas regras já aplicadas aos bancos.
Assim, o governo busca impedir o uso de fintechs por organizações criminosas.
Pix sempre integrou a fiscalização tributária
Desde sua criação, em 2020, o Pix já integra os informes enviados à Receita Federal.
Portanto, não houve criação de um novo mecanismo de controle.
Além disso, o governo não acompanha transferências individualmente.
Também não acessa dados pessoais das operações.
Movimentar R$ 5 mil não gera punição automática
Movimentar mais de R$ 5 mil no mês não leva automaticamente à malha fina.
O que ocorre, na prática, é o cruzamento entre a declaração do Imposto de Renda e a e-Financeira.

Caso surja divergência, o contribuinte pode ser intimado a esclarecer.
Se a explicação for aceita, nenhum imposto adicional é cobrado.
Esse sistema existe desde o início dos anos 2000.
A diferença atual, portanto, é apenas a inclusão das fintechs.
Pix não será taxado
Por fim, o governo reforça que não existe taxação sobre o Pix.
Também não há tributação sobre movimentações financeiras.
Qualquer novo imposto depende de aprovação do Congresso Nacional.
Atualmente, não há projeto com esse objetivo em tramitação.
Além disso, a Receita informou que, a partir de janeiro de 2026, quem ganha até R$ 5 mil por mês ficará isento do Imposto de Renda.
Quem recebe até R$ 7.350 terá desconto.
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