Coluna do Jota Garcia

Lula cobra o Banco Central: “Vai precisar começar a baixar os juros”

Foto: KEBEC NOGUEIRA/Reprodução

Presidente afirma que o Brasil terá “uma política monetária mais séria” e volta a pressionar o BC a reduzir a Selic, hoje em 15% ao ano.

Lula volta a pressionar o Banco Central

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a cobrar, nesta segunda-feira (20), uma redução da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 15% ao ano, o nível mais alto desde 2006.
Segundo ele, o governo prepara o país para uma política monetária “mais séria” e o Banco Central precisa agir.

“O Banco Central vai precisar começar a baixar os juros, porque todo mundo sabe o que nós herdamos. E todo mundo sabe que estamos preparando este país para ter uma política monetária mais séria”, declarou Lula.

A fala ocorreu durante o lançamento do programa Reforma Casa Brasil, no Palácio do Planalto. O projeto prevê até R$ 40 bilhões em crédito para reformas habitacionais em todo o país.

Embate com o Banco Central se reacende

O novo pronunciamento reforça a tensão entre o governo federal e o Banco Central (BC), que já protagonizaram diversos embates desde o início do mandato.
Ainda em 2024, quando Roberto Campos Neto presidia o BC, Lula fez críticas diretas ao economista indicado por Jair Bolsonaro (PL).

“Um presidente do BC que não demonstra autonomia, que tem lado político e trabalha mais para prejudicar do que para ajudar o país”, disse Lula em junho daquele ano.

Com a chegada de Gabriel Galípolo ao comando do BC, em janeiro deste ano, o clima havia esfriado.
O presidente chegou a adotar um tom mais conciliador, enquanto a Selic estava em 12,25% ao ano.

No entanto, a trégua terminou após a série de sete aumentos consecutivos, que elevaram a taxa em 2,75 pontos percentuais.

Juros altos reacendem críticas no Planalto

Em junho, o Banco Central levou a Selic a 15%, reacendendo o confronto político.
Em entrevista à TV Liberal, em outubro, Lula voltou a criticar o patamar da taxa:

“Temos a maior massa salarial, a maior renda do trabalhador e uma inflação em 5%, com tendência de queda. O problema é a taxa de juros, que está alta, e nós vamos ter que cuidar para que ela baixe um pouco mais.”

Na visão do governo, os juros elevados inibem o consumo e travam o crescimento econômico. Já o Banco Central argumenta que o controle inflacionário ainda exige cautela.

Expectativa para a próxima reunião do Copom

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em setembro, o colegiado decidiu manter a Selic em 15%.
A decisão foi unânime entre os membros do BC e marcou a segunda manutenção consecutiva, após sete altas seguidas.

A próxima reunião está marcada para os dias 4 e 5 de novembro. Analistas do mercado financeiro não esperam cortes, apesar da pressão política crescente.

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