Coluna do Jota Garcia

Moraes assume relatoria da disputa sobre o IOF no STF e embate entre Poderes ganha novo capítulo

Alexandre de Moraes em sessão da Primeira Turma do STF. — Foto: Antonio Augusto/STF

Ministro vai concentrar dois processos opostos: um, do PL, contra o aumento; outro, do PSOL, contra a derrubada do decreto. Governo estuda levar caso adiante.

Por que Alexandre de Moraes recebeu a ação

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, redistribuiu nesta segunda‑feira (30) a Ação Direta de Inconstitucionalidade do PSOL que contesta a decisão do Congresso de anular os decretos de aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Barroso concordou com o ministro Gilmar Mendes, sorteado inicialmente para o caso, de que há conexão direta com outro processo — protocolado pelo PL no início de junho — que ataca exatamente o movimento oposto: o reajuste do tributo editado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

MinistroLuís Roberto Barroso, do STF — Foto: STF/Reprodução

“As peculiaridades da causa recomendam a reunião dos feitos sob a mesma relatoria, prevenindo decisões contraditórias”, escreveu Barroso na decisão que escolheu Alexandre de Moraes como relator único.

As duas ações em jogo
Ação Autor Alvo Tese central
ADI 1 PL Decretos do governo Lula que elevaram o IOF Aumento teria finalidade meramente arrecadatória; exigiria lei, não decreto
ADI 2 PSOL Decreto Legislativo do Congresso que derrubou o reajuste Parlamento extrapolou competência e violou a separação de Poderes

Com Moraes concentrando ambos os processos, o STF precisará responder a duas perguntas-chave:

  1. Lula podia aumentar o IOF por decreto?

  2. O Congresso podia sustar esse decreto sem comprovar ilegalidade?

Segue no Supremo
  • O relator deve ouvir Advocacia‑Geral da União (AGU), Procuradoria‑Geral da República (PGR) e, possivelmente, entidades de classe.

  • Em seguida, poderá conceder liminar e submeter o tema diretamente ao Plenário virtual ou presencial.

O que diz o governo

Enquanto o STF organiza o rito, o Palácio do Planalto encomendou parecer da AGU para verificar se o Congresso invadiu prerrogativa do Executivo ao derrubar os decretos.
Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se a Advocacia concluir que houve usurpação, Lula acionará o Judiciário:

“O presidente jurou cumprir a Constituição; se o Legislativo ultrapassa esse limite, ele precisa reagir.”

Impacto fiscal em jogo
  • R$ 10 bilhões — perda potencial de arrecadação estimada pela Receita Federal com a suspensão dos novos percentuais do IOF.

  • R$ 12 bilhões — bloqueio adicional de gastos já calculado pela equipe econômica para manter a meta fiscal de 2025.

Por que o caso importa
  • Separação de Poderes: o STF vai definir até onde vai a autonomia do Executivo para mexer em imposto via decreto e qual é o alcance do controle político do Congresso.

  • Fôlego orçamentário: num cenário de contas públicas apertadas, a decisão interfere diretamente na meta de déficit zero prometida pelo governo.

Precedente: o veredicto deve balizar futuros embates sobre decretos tarifários, taxas ambientais e isenções setoriais.

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