Por Jota Garcia
Com a aproximação do pleito eleitoral no Amazonas, a poeira sobe não só das ruas e dos comícios, mas também dos bastidores fechados onde se movem figuras que trocam o serviço público por ambição pessoal, sobem nos ombros de colegas e usam a gestão como escada para chegar ao poder. E nessa lista, não faltam nomes que deveriam ter vergonha na cara — se ao menos tivessem.
A última aparição entre esses alpinistas sociais é um caso típico da nossa política: um professor que, após ser agraciado com uma secretaria de estado, viu a sua vida financeira mudar de maneira impressionante em pouco tempo. De salário modesto, passou a acumular terrenos, mansões e bens cuja origem não combina com a trajetória anterior. A explicação oficial? “Gestão profissional e inteligente dos recursos”. Mas na boca do povo e nos corredores dos órgãos de controle, a história tem outra versão: o cargo público serviu muito mais para enriquecer a si próprio do que para beneficiar a população.
E agora, embalado pelos elogios dos bajuladores que cercam todo gestor, ele resolveu dar o passo seguinte: lançou-se candidato a deputado estadual. Parece não importar que a cidade de Manaus, atenta e cada vez mais rebelde com essas artimanhas, quase não o conheça fora dos círculos fechados do governo. O que vale para ele é a fé na velha máxima: “vai que cola”.
Mas nem todo mundo está disposto a aceitar mais essa troca de favores e de cargos por votos. Nos meios políticos, o receio é generalizado: há reservas severas sobre a sua trajetória, sobre a origem do patrimônio construído na gestão e sobre a forma como ele se aproveitou da confiança que recebeu para alçar voos mais altos — muitas vezes derrubando colegas pelo caminho, quando eles não serviam mais aos seus interesses.
Por enquanto, o nome desse alpinista ainda não aparece oficialmente na lista de candidaturas: tudo depende da convenção partidária que vai definir quem segue na disputa. Mas já é possível adiantar uma coisa: se for confirmado, a campanha terá mais um capítulo de questionamentos, de cobranças e de provas que a população amazonense não vai deixar passar batido.
Chega de tratar o cargo público como trampolim para a carreira própria. Chega de cara de pau. A eleição chegou para mostrar quem realmente veio para servir — e quem só veio para se servir.
Este artigo será atualizado com a identificação completa do candidato assim que definida a sua situação na convenção partidária.






