
Transferência de 70 policiais militares para nova unidade na BR-174 ocorreu após fuga em massa, denúncias de privilégios e perda de controle interno no Núcleo Prisional do Monte das Oliveiras
O antigo Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas, no bairro Monte das Oliveiras, na Zona Norte de Manaus, foi desativado nesta terça-feira, 12 de maio, após a deflagração da Operação Sentinela Maior, conduzida pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM).
A operação transferiu cerca de 70 policiais militares presos para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM), na BR-174. A mudança ocorreu depois de uma sequência de fatos graves, entre eles a fuga de detentos, falhas estruturais e a descoberta de um ambiente marcado por privilégios incompatíveis com o cumprimento de pena.

Imagens mostram estrutura com conforto e itens proibidos
Registros feitos no interior da antiga unidade mostram um cenário muito diferente do padrão esperado para custódia prisional.
Segundo o material obtido, os presos mantinham acesso a itens e facilidades como:
- televisão de tela plana
- roteador de Wi-Fi instalado e em funcionamento
- fita de LED azul iluminando o ambiente
- geladeiras e freezers abastecidos com carnes, ovos, manteiga e frutas
- pizzas trazidas de fora
- ar-condicionado split
- frigobar
- perfumes importados
- ferramenta elétrica do tipo parafusadeira/furadeira a bateria
- caixa lacrada de smartphone, aparentemente um iPhone
- até um gato circulando livremente na área de cozinha
Além disso, uma caixa de papelão cheia de garrafas vazias de cerveja Heineken apareceu do lado de fora do pavilhão, o que reforçou a suspeita de consumo de bebida alcoólica dentro da unidade.
Ambiente se parecia mais com alojamento do que com presídio
O conjunto de imagens revela quartos com aparência de alojamento doméstico, e não de cela prisional.
Banheiros com acabamento em cerâmica, camas com roupas confortáveis, mantimentos em grande quantidade e presença de objetos proibidos reforçaram a percepção de total relaxamento do controle interno.
Na prática, o que deveria funcionar como unidade de custódia para militares presos acabou exibindo sinais de permissividade extrema.
Presos respondiam por homicídio, crimes sexuais e outros delitos graves
O cenário de regalias chamou ainda mais atenção por causa do perfil dos custodiados.

Segundo um documento mostrado nas imagens, dos 83 presos listados em triagem recente:
- 33,73% respondiam por homicídio
- 16,87% estavam presos por crimes sexuais, incluindo estupro de vulnerável
- 15,66% respondiam por roubo, extorsão e sequestro
O restante se dividia entre acusações de tráfico de drogas, abandono de posto, posse ilegal de armas e outros crimes militares.
Fuga de 23 PMs acelerou desativação da unidade
A crise no núcleo prisional se agravou de vez após a fuga de 23 policiais militares, registrada em 27 de fevereiro deste ano.
A corporação só descobriu a ausência dos detentos durante uma vistoria de rotina. O episódio escancarou a fragilidade da unidade e mostrou que o controle sobre os presos já havia colapsado.
Depois disso, o MPAM deflagrou a Operação Sentinela, em março, e prendeu policiais plantonistas suspeitos de facilitar as fugas.
O escândalo também atingiu a chefia da unidade. O então diretor do núcleo, major Galeno Edmilson de Souza Jales, acabou preso durante as investigações e depois foi excluído da corporação por ato do governo estadual.
Transferência provocou protestos e tensão
A retirada dos presos da unidade não ocorreu sem reação.

Durante a operação desta terça-feira, familiares tentaram impedir a saída dos ônibus da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). Houve protestos na frente da unidade, e algumas pessoas chegaram a se deitar no asfalto para bloquear o comboio.
Diante da resistência, equipes da Tropa de Choque e da Rocam intervieram para liberar a passagem. Segundo o relato do texto-base, os agentes usaram spray de pimenta para dispersar a multidão.
Nova unidade promete regras mais rígidas
A nova UPPM/AM funciona no prédio da antiga Penitenciária Feminina de Manaus, ao lado do Compaj, na BR-174.
Segundo a estrutura apresentada pelas autoridades, a unidade passa a operar com regras formais do sistema penitenciário estadual e promete romper com o modelo anterior, marcado por improviso, permissividade e falta de controle.
De acordo com a autoridade citada no texto-base, os policiais transferidos não terão contato com presos comuns, mas ficarão em uma unidade com padrão prisional mais rígido e maior controle administrativo.
As visitas devem ser retomadas a partir de domingo, já sob as normas do sistema carcerário estadual.
Operação expõe crise no sistema de custódia da PM
A desativação do antigo presídio da PM não representa apenas uma mudança de endereço.
Na prática, a operação escancarou um sistema paralelo de privilégios dentro de uma unidade prisional que deveria assegurar disciplina, controle e cumprimento de pena. Além disso, a transferência dos detentos ocorre sob o peso de uma crise institucional provocada por fugas, denúncias de facilitação e exposição de regalias incompatíveis com qualquer regime de custódia.
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