Coluna do Jota Garcia

Novo calendário transforma Paulista em “treino de luxo” para os grandes

Murilo, do Palmeiras, e Memphis Depay, do Corinthians, em disputa durante a final do Paulista 2025 - Cesar Greco - 27.mar.25/Ag. Palmeiras/Divulgação

Com início antecipado e menos datas disponíveis, o Campeonato Paulista começa neste fim de semana em ritmo de pré-temporada para os principais clubes do estado. Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos entram em campo poucos dias após a reapresentação dos elencos, o que força cautela e gestão física no início do ano.

Diante desse cenário, os técnicos devem evitar força máxima nas primeiras rodadas. O objetivo é reduzir riscos de lesão e ganhar tempo para ajustar o condicionamento dos atletas.

Elencos rodam e jovens ganham espaço

No Palmeiras, Abel Ferreira conta com um elenco mais profundo e tende a adotar rodízio. Já no Corinthians, Dorival Júnior recorreu às categorias de base para suprir desfalques causados por problemas físicos.

Enquanto isso, no São Paulo, o técnico Crespo inicia o estadual com menos baixas no departamento médico e avalia alternar peças nas primeiras partidas. No Santos, a diretoria segue ativa no mercado após renovações e contratações de impacto, mas ainda busca reforços para o time titular.

Assim, para os grandes, o Paulista funciona mais como laboratório do que como prioridade esportiva imediata.

Menos datas e novo formato de disputa

Além da pré-temporada encurtada, a redução de datas levou a Federação Paulista de Futebol a reformular o campeonato. Agora, o torneio conta com apenas 12 datas na primeira fase — antes eram 16.

O novo modelo se inspira na Champions League. Cada equipe enfrenta adversários do próprio grupo e também cinco times de outras chaves, totalizando oito jogos, incluindo os clássicos. A federação manteve esses confrontos para preservar audiência e interesse comercial.

Os oito melhores avançam ao mata-mata, disputado em jogos únicos até a final, que seguirá em dois confrontos. Por outro lado, as duas piores equipes da fase inicial serão rebaixadas à Série A2.

Técnicos criticam, dirigentes defendem

Apesar do discurso institucional, nem todos aprovam o novo calendário. Abel Ferreira foi direto ao comentar a preparação do Palmeiras.

“Não me parece sensato”, afirmou o treinador, ao lembrar que o elenco teve apenas cinco dias de trabalho antes da estreia contra a Portuguesa, no sábado (10), no Canindé.

Mesmo assim, a presidente do clube, Leila Pereira, adotou tom oposto. Segundo ela, a mudança representa um avanço no debate sobre calendário e preservação física dos atletas.

Corinthians sente mais o impacto

O Corinthians vive a situação mais delicada entre os grandes. O clube encerrou a temporada passada apenas em 21 de dezembro, com o título da Copa do Brasil, e teve pouco tempo de descanso.

Para a estreia contra a Ponte Preta, Dorival Júnior não poderá contar com nomes importantes do ataque. Além disso, a comissão técnica decidiu preservar jogadores para ter força máxima na Supercopa do Brasil, no início de fevereiro.

Até lá, o Paulista servirá como preparação gradual, com foco na recuperação física e na consolidação do elenco.

Calendário nacional também mudou

As alterações no estadual fazem parte de um redesenho mais amplo do futebol brasileiro. O Campeonato Brasileiro começou mais cedo e terá pausa para a Copa do Mundo. Já a Copa do Brasil passa a ter final em jogo único e um novo formato de entrada para clubes da Série A.

Embora a CBF afirme que as mudanças reduzem o número de partidas, na prática elas comprimem a pré-temporada e exigem adaptação imediata dos clubes.

Estreias dos grandes no Paulista
  • 10/01 (16h) – Santos x Novorizontino

  • 10/01 (20h30) – Portuguesa x Palmeiras

  • 11/01 (16h) – Corinthians x Ponte Preta

  • 11/01 (20h30) – Mirassol x São Paulo

Leia mais 🔗