Por Jota Garcia
Será se o rábula Jorge MP acionará seu parça no fórum da ZL pra resolver seus interesses políticos financeiros ?
Na política brasileira, escolher o candidato a vice é quase sempre menos um gesto de afinidade e mais um exercício de sobrevivência. A chapa majoritária, que nos discursos nasce de “convergências programáticas”, na prática costuma surgir de madrugadas mal dormidas, telefones desligados e acordos que ninguém assume em público.
No Amazonas, a prévia da eleição de 2026 já revela esse velho ritual. Três personagens centrais — Omar Aziz, David Almeida e Maria do Carmo — caminham em silêncio estratégico quando o assunto é a escolha do vice. E silêncio, em política, quase sempre significa problema.
Maria do Carmo parece ter decidido que sua candidatura será uma travessia solitária. Não demonstra qualquer entusiasmo em composições amplas com outras siglas. É uma aposta de risco. Ao rejeitar a tradicional engenharia de alianças, sobra-lhe um campo político estreito: a busca de um vice dentro do espectro da direita mais ideológica. O gesto agrada nichos barulhentos, mas limita pontes. Em eleições majoritárias, pontes costumam valer mais que aplausos.
David Almeida, por sua vez, enfrenta uma dificuldade mais doméstica: a arte de ouvir. Seus aliados — poucos, mas insistentes — relatam que o prefeito de Manaus prefere monólogos a conselhos. A escolha do vice, nesse caso, pode acabar sendo menos uma construção política e mais um ato de vontade pessoal. O problema é que vice escolhido sem costura partidária costuma virar problema antes mesmo da posse.
A política amazonense conhece bem esse tipo de enredo: candidatos fortes que chegam à campanha cercados por um círculo cada vez menor de interlocutores. Quando percebem, o palanque virou mesa de jantar.
Já Omar Aziz atua no estilo veterano. Não diz muito, mas deixa pistas. Recentemente elogiou publicamente o deputado Roberto Cidade, gesto que em Brasília e em Manaus foi lido como algo mais do que mera cordialidade parlamentar. Ainda assim, quando provocado pela imprensa sobre composição de chapa, o senador preferiu a velha tática da política profissional: mudar de assunto com elegância.
Omar conhece o peso de um vice. Em eleições competitivas, o número dois pode ser a chave para destravar apoios regionais, partidários ou financeiros. Não é escolha romântica; é cálculo.
Nos bastidores, a disputa pelo posto costuma revelar a parte menos nobre da política: partidos que valem segundos de televisão pedindo espaço de protagonista, lideranças regionais que se oferecem como “pontes eleitorais” e operadores lembrando discretamente que vice também herda mandato em caso de tempestade.
É por isso que a definição raramente acontece cedo. Vice é cargo de última hora. Serve para apagar incêndio político, resolver impasse partidário ou acomodar um aliado que ameaça virar adversário.
Enquanto isso, o eleitor assiste ao espetáculo curioso de pré-candidatos que falam sobre tudo — economia, segurança, transporte — menos sobre quem estará ao seu lado na urna.
No Amazonas, a corrida de 2026 começa exatamente assim: com discursos firmes, alianças frágeis e uma cadeira de vice que, por enquanto, permanece vazia.
Mas na política local, como se sabe, cadeira vazia nunca fica muito tempo sem dono. E quase sempre aparece alguém disposto a sentar — mesmo que a mesa ainda esteja pegando fogo.






