Autoridades apuram disseminação de imagens ilegais, uso de algoritmos enviesados e atuação do chatbot Grok; Musk e ex-CEO foram convocados a depor
Paris – A Polícia francesa e o Ministério Público de Paris realizaram, na manhã desta terça-feira (3), buscas nos escritórios da rede social X na França. A operação integra uma investigação preliminar que apura crimes graves, como a disseminação de pornografia infantil, deepfakes sexualmente explícitos e outras infrações ligadas ao uso de sistemas automatizados da plataforma.
Segundo a Procuradoria, a investigação ocorre no âmbito da unidade de crimes cibernéticos e conta com o apoio da Agência da União Europeia para a Cooperação Policial e da Unidade Nacional de Cibersegurança da França.
Convocação de Elon Musk e ex-CEO do X
Além das buscas, as autoridades francesas convocaram o bilionário Elon Musk, proprietário da rede social, para prestar esclarecimentos. Também foi intimada Linda Yaccarino, que deixou o cargo de CEO da plataforma em julho, após dois anos à frente da empresa.

De acordo com o Ministério Público de Paris, intimações para depoimentos voluntários foram enviadas a Musk e Yaccarino, com data marcada para 20 de abril de 2026, em Paris. Ambos foram chamados na condição de gestores de fato e de direito da plataforma à época dos fatos investigados.
Funcionários do X que atuam na França também foram intimados a prestar depoimento como testemunhas.
Investigação internacional se amplia
A ofensiva das autoridades francesas ocorre em um contexto de crescentes investigações internacionais contra a plataforma X. Também nesta terça-feira, o Reino Unido anunciou a abertura de uma apuração envolvendo o chatbot Grok, ferramenta de inteligência artificial da rede social, por suposta produção de imagens sexuais não consensuais, incluindo material envolvendo crianças.

Na semana passada, a União Europeia adotou medida semelhante, ampliando o cerco regulatório sobre a empresa de Musk.
Segundo a agência Reuters, a operação na França e a convocação de Musk tendem a aumentar as tensões diplomáticas entre Europa e Estados Unidos, especialmente nos debates sobre regulação de plataformas digitais, liberdade de expressão e responsabilidade das big techs.
Acusações investigadas
Em comunicado publicado na própria plataforma X, o Ministério Público de Paris confirmou a realização das buscas e anunciou que deixará de utilizar a rede social, convidando os cidadãos a acompanharem o órgão em outras plataformas.
O inquérito apura suspeitas de:
- Cumplicidade na manutenção e disseminação de pornografia infantil;
- Difusão de deepfakes sexualmente explícitos, inclusive envolvendo menores;
- Negação de crimes contra a humanidade, como o Holocausto;
- Manipulação de sistemas automatizados de dados no contexto de um grupo organizado.
Segundo os promotores, nesta fase inicial, a investigação segue uma abordagem considerada “construtiva”, com o objetivo de garantir que a plataforma X cumpra integralmente a legislação francesa, já que opera em território nacional.
Origem da apuração
A investigação foi aberta inicialmente em janeiro de 2025, após denúncias feitas por um parlamentar francês. Ele alegou que algoritmos enviesados do X poderiam ter distorcido o funcionamento de sistemas automatizados de processamento de dados da plataforma.
Posteriormente, novas denúncias ampliaram o escopo do inquérito. De acordo com a Procuradoria, o chatbot Grok teria, em diferentes ocasiões, negado o Holocausto e disseminado deepfakes de conteúdo sexual explícito.
Reação de Elon Musk
Procurado, o X não respondeu aos questionamentos da reportagem até a última atualização. Elon Musk também não comentou diretamente as buscas.

No entanto, o empresário repostou uma publicação que faz referência à operação policial em Paris e afirma que a “liberdade de expressão está sendo atacada em nome da regulamentação”.
“A polícia francesa fez uma operação no escritório do X em Paris. O povo da França se manifestou. O X agora é o aplicativo de notícias número 1 na App Store da França”, diz o texto compartilhado por Musk. Em seguida, a postagem conclui: “A liberdade de expressão está sendo atacada em nome da regulamentação”.
Em julho, Musk já havia negado as acusações e afirmou que os promotores franceses conduzem uma “investigação criminal motivada politicamente”.
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