Coluna do Jota Garcia

Secretaria de Comunicação da Presidência da República precisa rever seus métodos

A relação entre o poder público e os veículos de comunicação deve ser pautada pela transparência, isonomia e respeito aos contratos firmados. Quando campanhas institucionais são executadas por meio de planos de mídia, é natural que existam critérios de desempenho. No entanto, esses critérios precisam ser compatíveis com a realidade do mercado, especialmente quando envolvem pequenos e médios veículos de comunicação regionais.

Segundo relatos de empresários do setor, as exigências impostas pela produtora responsável pela execução dos planos de mídia da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) estabeleceram metas consideradas excessivamente elevadas. Além disso, os participantes afirmam ter recebido uma sequência constante de e-mails cobrando resultados e pressionando pelo cumprimento dos indicadores estabelecidos.

O ponto mais sensível da questão, conforme os relatos, é que diversos veículos que executaram as campanhas não teriam recebido pelos serviços prestados por não alcançarem as metas exigidas. Para muitos empresários da comunicação, sobretudo das regiões Norte e Nordeste, essa situação representa um duro impacto financeiro, já que os custos operacionais da campanha foram assumidos durante sua execução.

O Blog do Pávulo afirma ter sido o único veículo a atingir todas as metas estabelecidas pela produtora responsável. Ainda assim, em um gesto que classifica como solidariedade aos demais empresários prejudicados, seu editor decidiu não continuar participando desse modelo de contratação, defendendo mudanças nos critérios utilizados.

A discussão ultrapassa uma questão comercial. O episódio reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas de comunicação que valorizem também os veículos regionais, fundamentais para levar informação a comunidades distantes dos grandes centros. Exigir indicadores incompatíveis com a realidade desses meios pode acabar concentrando ainda mais os investimentos em grandes plataformas e reduzir a pluralidade da comunicação.

Especialistas em gestão pública costumam defender que contratos dessa natureza sejam acompanhados por regras claras, previsíveis e proporcionais, garantindo segurança jurídica tanto para a administração quanto para as empresas contratadas. Da mesma forma, eventuais metas precisam ser definidas com critérios técnicos e compatíveis com o alcance de cada veículo.

Na avaliação do editor do Blog do Pávulo, a Secom deveria promover uma revisão dos métodos adotados, ouvindo os representantes dos veículos regionais e reavaliando os mecanismos de cobrança e remuneração. Segundo ele, a manutenção de um modelo considerado excessivamente rigoroso poderá provocar descontentamento entre empresários da comunicação que atuam em todas as regiões do país.

O editor também sustenta que esse descontentamento poderá produzir reflexos políticos nas eleições de outubro, uma vez que decisões administrativas que afetem setores econômicos frequentemente geram repercussões no debate público. Essa, entretanto, é uma avaliação do autor e não constitui um fato estabelecido.

Diante das críticas, seria importante que a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e a produtora responsável apresentassem esclarecimentos sobre os critérios adotados, as metas estabelecidas, a forma de fiscalização dos contratos e as razões que levaram ao eventual não pagamento de alguns participantes. O contraditório é um princípio essencial do jornalismo e contribui para que a sociedade compreenda todos os aspectos envolvidos na questão.

O debate sobre eficiência na aplicação dos recursos públicos não deve excluir o respeito aos parceiros responsáveis pela execução das campanhas. Transparência, diálogo e equilíbrio entre metas e realidade operacional são elementos indispensáveis para fortalecer a comunicação pública e preservar a confiança entre governo e veículos de imprensa.