Coluna do Jota Garcia

Solidariedade aciona STF para barrar regra que favorece Adjuto Afonso na Aleam

Deputado Adjuto Afonso é o presidente da Aleam após mudança no regimento Foto: Divulgação
Partido pede suspensão de resolução que alterou o Regimento Interno e abriu caminho para permanência definitiva do deputado na presidência da Assembleia

Manaus – O partido Solidariedade ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) para suspender a Resolução Legislativa nº 1.159/2026 da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).

A norma alterou o Regimento Interno da Casa e abriu caminho para que o deputado estadual Adjuto Afonso (União Brasil) permaneça definitivamente na presidência do Legislativo estadual.

A ação foi protocolada na segunda-feira (6).

Nela, a legenda pede medida cautelar para suspender imediatamente os efeitos da resolução.

Foto: Divulgação

Além disso, o partido quer que o STF determine a realização de uma nova eleição para o comando da Assembleia.

Partido vê regra feita sob medida para Adjuto

Segundo o Solidariedade, a mudança regimental beneficiou diretamente Adjuto Afonso.

O deputado assumiu interinamente a presidência da Aleam depois que Roberto Cidade (União Brasil) deixou o cargo para assumir o Governo do Amazonas.

Na ação, o partido afirma que a Assembleia violou o devido processo legislativo.

“O caso envolve uma violação explícita ao direito do devido processo legislativo por meio da prática de contrabando legislativo”, sustenta a legenda.

Emenda entrou em projeto sobre meio ambiente

De acordo com a petição, a alteração foi inserida em um projeto que originalmente tratava apenas das competências da Comissão de Proteção aos Animais, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

Durante a tramitação, a proposta recebeu uma emenda que alterou o artigo 20 do Regimento Interno da Aleam.

A mudança passou a estabelecer que a sucessão do presidente pelo vice também se aplica aos casos de vacância definitiva do cargo.

Para o Solidariedade, a emenda não tem relação com o objeto inicial do projeto.

Por isso, o partido afirma que a alteração configura “contrabando legislativo”, tese já reconhecida pelo STF em julgamentos anteriores.

Legenda afirma que não houve debate

O Solidariedade também sustenta que a Aleam aprovou a mudança sem debate adequado.

Segundo a ação, a emenda foi apresentada no mesmo dia da votação.

Além disso, o texto não voltou às comissões após a modificação.

A legenda afirma ainda que a deliberação em plenário “durou um total de dez segundos”.

Para o partido, esse rito comprometeu a regularidade do processo legislativo.

Ação classifica mudança como “manobra regimental”

Na petição, o Solidariedade classifica a alteração como uma “manobra regimental”.

“Com essa manobra, orquestrada por Adjuto Afonso e seus aliados, aquele adquiriu justificativa legal para ocupação em definitivo da Presidência da Aleam, posição para a qual jamais foi eleito por seus pares”, afirma o partido.

A legenda sustenta que os deputados estaduais devem escolher o presidente da Assembleia por meio de eleição.

Assim, o partido contesta a possibilidade de sucessão automática em caso de vacância definitiva.

Partido defende nova eleição para presidência

Segundo a ação, a resolução “trata como situação definitiva aquilo que, segundo os parâmetros constitucionais e regimentais, exige recomposição pelo voto”.

O Solidariedade afirma que a norma transformou uma ocupação provisória em mandato permanente.

Além disso, a legenda diz que isso ocorreu “sem convocação de eleição pelo Plenário”.

Para o partido, a Presidência da Aleam precisa passar por recomposição formal quando ocorre vacância definitiva.

Solidariedade aponta destinatário específico

O partido também afirma que a norma buscou resolver um caso concreto já existente.

Na avaliação da legenda, a mudança teria favorecido um destinatário específico.

“O que deveria ser regra geral e impessoal transforma-se, no caso concreto, em solução sob medida para um problema já instalado, com destinatário certo e resultado previamente conhecido”, diz trecho da ação.

Ainda segundo o Solidariedade, a alteração viola os princípios republicano e democrático.

A legenda também aponta violação à impessoalidade e à moralidade administrativa previstas na Constituição.

Pedido de liminar mira efeitos da resolução

No pedido de liminar, o Solidariedade requer que o STF suspenda imediatamente a eficácia da Resolução Legislativa nº 1.159/2026.

Além disso, o partido pede a aplicação do artigo 199 do Regimento Interno da Aleam.

Segundo a legenda, esse dispositivo deve suprir a omissão normativa e permitir a realização de nova eleição para o cargo de presidente da Casa.

Partido pede declaração de inconstitucionalidade

Ao final da ação, o Solidariedade pede que o Supremo declare a inconstitucionalidade da resolução.

A legenda aponta vícios formais e materiais na aprovação da norma.

Com isso, o partido tenta impedir a efetivação automática de Adjuto Afonso na presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas.

Caso segue no STF

A ação ainda será analisada pelo Supremo Tribunal Federal.

Até uma decisão do STF, a controvérsia sobre a permanência de Adjuto Afonso no comando da Aleam segue em aberto.

O caso também deve ampliar a disputa política em torno da sucessão interna da Assembleia após a saída de Roberto Cidade para o Governo do Amazonas.

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