Coluna do Jota Garcia

Trump diz que Lula terá papel central em conselho para Gaza: “Gosto dele”

Foto: @ricardostuckert

Durante uma coletiva nesta terça-feira (20/1), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou o convite para que o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), integre o Conselho de Paz para Gaza.

Trump afirmou ter apreço pessoal por Lula e destacou que o brasileiro pode exercer papel relevante no novo órgão internacional.

“Eu convidei. Eu gosto dele. Lula terá um grande papel no Conselho de Paz de Gaza”, declarou.

Trump critica ONU e sugere substituição do organismo

Ainda durante a coletiva, Trump elevou o tom contra a Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo ele, o conselho recém-criado poderia até assumir funções que hoje cabem ao organismo internacional.

“A ONU simplesmente não tem sido muito útil. Sou um grande fã do potencial da ONU, mas ela nunca esteve à altura desse potencial”, afirmou.

Em seguida, o presidente americano acrescentou que não recorreu à ONU em conflitos que diz ter encerrado.

“A ONU deveria ter resolvido todas as guerras que eu encerrei. Eu nunca recorri a eles, nunca sequer pensei em recorrer.”

Governo brasileiro confirma convite e mantém cautela

O governo brasileiro confirmou o recebimento do convite na última sexta-feira (16/1). No entanto, interlocutores do Palácio do Planalto informam que Lula ainda não tomou uma decisão.

Segundo essas fontes, o presidente prefere avaliar com cautela as condições geopolíticas, diplomáticas e financeiras antes de aceitar integrar o grupo.

O tema foi discutido em reunião entre Lula e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, na manhã de segunda-feira (19/1), no Palácio do Planalto.

Pontos analisados pelo Planalto

De acordo com apuração do blog, a equipe presidencial analisa o documento de forma minuciosa e não há prazo definido para o envio de uma resposta aos Estados Unidos.

Entre os principais pontos em estudo estão:

  • a composição do grupo e os países que tendem a aderir ao conselho;
  • o posicionamento diplomático desses países em relação ao conflito na Faixa de Gaza;
  • os impactos orçamentários e eventuais obrigações financeiras;
  • os objetivos centrais do conselho, especialmente quanto à transição política, segurança e reconstrução;
  • a necessidade de articulação prévia com nações influentes para dar sustentação política às medidas.
Como funcionará o Conselho de Paz para Gaza

O Conselho de Paz, anunciado por Trump na última semana, prevê a participação de cerca de 60 países e terá mandato inicial de três anos.

O documento assinado pelo presidente americano estabelece a criação de um grupo de membros permanentes. Para ocupar essa posição, os países deverão contribuir com uma taxa de US$ 1 bilhão já no primeiro ano de funcionamento do fundo do conselho.

Lideranças demonstram cautela

Apesar dos convites enviados, líderes mundiais demonstram resistência e cautela em relação ao novo órgão.

Alguns chefes de Estado ainda questionam o papel e a legitimidade do conselho. Outros, como o presidente da França, Emmanuel Macron, já descartaram participar, citando dúvidas sobre o escopo das atividades.

Integrantes fundadores e plano para Gaza

A criação do conselho integra a segunda fase do plano de 20 pontos apresentado por Trump para encerrar o conflito na Faixa de Gaza, com foco na desmilitarização e na reconstrução do território.

Entre os membros-fundadores já confirmados estão:

  • o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio;
  • o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair;
  • o enviado especial de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff;
  • e o genro do presidente americano, Jared Kushner.

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