Coluna do Jota Garcia

Trump recua antes do ultimato e anuncia trégua parcial de 5 dias; Irã não confirma negociações

Arte: Blog do Pávulo

WASHINGTON / TEERÃ — A poucas horas do fim do ultimato de 48 horas dado por Donald Trump para o Irã reabrir o Estreito de Ormuz, o presidente dos EUA recuou e anunciou uma trégua parcial de cinco dias. Trump disse que vai adiar ataques à infraestrutura energética e elétrica iraniana após o que chamou de “conversas muito boas e produtivas” sobre uma “resolução completa” das hostilidades no Oriente Médio.

No entanto, o Irã não confirma a versão. Segundo a agência iraniana Mehr, a chancelaria afirma que Trump tenta ganhar tempo e aliviar a pressão no mercado de petróleo. Ainda assim, Teerã admite “iniciativas para reduzir a tensão” e diz que só aceita propostas diretamente dos Estados Unidos.

O que Trump anunciou

Trump comunicou a decisão em sua rede social. Ele afirmou:

“Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos e o Irã tiveram, ao longo dos dois últimos dias, conversas muito boas e produtivas a respeito de uma resolução completa e total de nossas hostilidades no Oriente Médio. Com base no teor e no tom dessas conversas aprofundadas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo da semana, instruí o Departamento de Guerra a adiar todos e quaisquer ataques militares contra usinas de energia e infraestrutura energética iranianas por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento”.

A trégua atinge, portanto, ataques que ainda não tinham começado. Trump havia ameaçado bombardear usinas de energia do Irã ao fim do prazo, às 20h13 desta segunda-feira, no horário de Brasília.

Irã fala em “recuo” e ameaça retaliação

A Press TV, estatal iraniana, afirma que não houve contato. Segundo a emissora, Trump recuou após Teerã ameaçar retaliar duramente alvos no Golfo Pérsico se a ameaça se concretizasse.

Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz, em 10 de dezembro de 2023. REUTERS/Stringer/Foto de arquivo

Além disso, o Conselho de Defesa do Irã voltou a dizer que retaliará se os EUA atacarem. O órgão afirma que vai considerar alvo toda a infraestrutura energética de Israel e áreas próximas a bases americanas. Teerã também menciona fechar Ormuz e minar o Golfo se houver ataque à costa ou a ilhas do país.

Energia já entrou na guerra e elevou a tensão

Antes do anúncio da pausa, Israel atacou Teerã e deixou partes da capital sem eletricidade, segundo o texto-base. A queda de energia alimentou especulações e medo de que Trump tivesse antecipado a ofensiva antes do fim do ultimato.

Na semana passada, a crise escalou com ataques a infraestrutura energética. Segundo o texto, após Israel atingir instalações ligadas ao maior campo de gás natural do mundo, o Irã retaliou e destruiu parte da capacidade de exportação do Qatar.

Mercado reage e teme novo pico do petróleo

A tensão mexeu com os preços. O Brent chegou perto de US$ 120 e fechou a semana em US$ 112. Nesta segunda, abriu oscilando, após pico de US$ 116, com o mercado esperando o desfecho do impasse.

Reino Unido convoca reunião e base britânica vira alvo

O governo britânico convocou reunião de emergência. O premiê Keir Starmer afirmou que não vê avaliação de que o Irã esteja atacando o Reino Unido, apesar de episódios recentes envolvendo drones e mísseis contra instalações britânicas em Chipre e Diego Garcia, segundo a mídia do país citada no texto.

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