Após sanções americanas, petróleo venezuelano lota navios por falta de comprador

FILE PHOTO: An oil tanker is seen in the sea arriving at Puerto La Cruz refinery, 200 miles (320 km) east of Caracas in this 2003 file photo. REUTERS/Jorge Silva/File/File Photo

O governo da Venezuela está ficando sem espaço para armazenar o petróleo afetado por sanções americanas que poucos clientes no mundo ousam comprar.

Com isso, a estatal PDVSA se viu forçada a reduzir a produção em um momento no qual a demanda pelo petróleo sulfuroso e pesado – abundante no país – aumentou, diz a Fortune.

Pávulo no Facebook   Twitter  Instagram

Mike Pence a Juan Guaidó: ‘Trump está 100% com você’

Cargueiros com 8,36 milhões de barris de petróleo venezuelano, cujo preço estimado é de US$ 500 milhões, estão ancorados na costa do país, enquanto Caracas busca compradores depois que as sanções do governo americano entraram em vigor, em janeiro.

São 16 navios que pertencem à PDVSA, à Chevron e à russa Rosneft. Refinarias que costumam processar o petróleo venezuelano diminuíram o fluxo de produção nas últimas semanas porque ficaram sem espaço para processar os barris que chegam sem compradores.

A alternativa encontrada foi armazenar o petróleo em navios em alto mar, algo feito pelo Irã durante as sanções dos Estados Unidos contra seu programa nuclear. Essas dificuldades evidenciam o impacto que as sanções americanas tiveram na PDVSA.

As vendas de petróleo para os Estados Unidos, principal cliente da empresa, secaram. Sem acesso ao sistema financeiro americano, usado por refinarias e seguradoras para fazer negócios, a empresa estatal tem dificuldades para encontrar novos clientes.

As exceções são Índia e China, a quem os venezuelanos já deviam petróleo por acordos de empréstimo feitos nos governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. A Petromonagas, joint venture da PDVSA com a Rosneft, já não tem espaço para armazenar petróleo.

A Petropiar, parceria com a Chevron, vai no mesmo caminho, assim como a Equinor, sociedade com a Total. Além disso, o veto à venda de vendas de diluentes tornaram difícil o transporte de petróleo dos oleodutos para as refinarias.

Com isso, a procura pelo petróleo colombiano, que disputa mercado com o venezuelano, aumentou. O barril local subiu US$ 4,00 nas últimas semanas.