Sindicância identifica indícios de irregularidades desde o atendimento inicial até a UTI; profissionais vão responder a processo ético
MANAUS (AM) — O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) identificou indícios de falhas graves no atendimento que levou à morte de Benício Xavier, de 6 anos. Com base na sindicância concluída, o órgão decidiu abrir processo ético-profissional contra os médicos envolvidos.
Segundo o advogado da família, Ricardo Albuquerque, o conselho encontrou problemas em todas as etapas do atendimento, desde o primeiro contato até a internação em UTI.
Falhas atingem toda a cadeia de atendimento
De acordo com Albuquerque, os indícios não se limitam a um único profissional. Pelo contrário, envolvem médicos da linha de frente, equipe da UTI e até profissionais com função de coordenação.
“Há indícios e diversos médicos indiciados. Não apenas a doutora Juliana, mas também outros profissionais que participaram do atendimento, inclusive na fase inicial e na UTI”, afirmou.
Diante disso, todos deverão responder a processo ético no Cremam.
Polícia aponta sucessão de erros
Paralelamente, a Polícia Civil do Amazonas concluiu o inquérito sobre o caso e pediu o indiciamento da médica Juliana Brasil, da técnica de enfermagem Rayza Bentes e de dois diretores do Hospital Santa Júlia.
A investigação aponta uma sequência de falhas que vai além do erro individual. Segundo a polícia, houve problemas tanto na conduta médica quanto na gestão hospitalar.
Além disso, laudos periciais indicam possíveis tentativas de adulteração de provas, o que agrava ainda mais a gravidade do caso.
Família cobra responsabilização
A defesa da família informou que solicitou ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) participação como assistente de acusação. A expectativa é de que a denúncia seja apresentada ainda neste mês.
Para os familiares, o caso não se resume a um erro isolado, mas sim a um conjunto de falhas que precisam ser esclarecidas e punidas.
Cremam não se manifesta
A reportagem procurou o Cremam para comentar a decisão e detalhar o processo ético. No entanto, até o fechamento desta matéria, não houve retorno.
Relembre o caso
Benício Xavier deu entrada no Hospital e Pronto-Socorro Santa Júlia no dia 22 de dezembro com sintomas de tosse seca e suspeita de laringite.

Durante o atendimento, ele recebeu prescrição com lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, totalizando 9 ml.
Após a medicação, o estado de saúde piorou rapidamente. Em seguida, o menino sofreu várias paradas cardíacas e foi transferido para a UTI.
Apesar dos esforços, Benício não resistiu.
Caso expõe falhas sistêmicas
Diante dos elementos já apontados, o caso levanta questionamentos sobre protocolos médicos, supervisão hospitalar e controle de condutas clínicas.
Além disso, a presença de indícios em diferentes níveis do atendimento reforça a hipótese de falha sistêmica — e não apenas individual.
Agora, o avanço das investigações e do processo ético será determinante para definir responsabilidades e possíveis punições.
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