Senador defendeu medida nos EUA, mas não participou da votação no Brasil
SÃO PAULO — O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, não participou da sessão do Senado que rejeitou a proposta de classificar facções criminosas como organizações terroristas no Brasil.
A votação ocorreu em dezembro de 2025, durante a análise do chamado PL Antifacção.
Emenda foi rejeitada pelo Senado
Na ocasião, os parlamentares derrubaram uma emenda apresentada pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), que equiparava facções como o PCC e o Comando Vermelho ao terrorismo.
A votação foi simbólica. Ou seja, não houve registro nominal dos votos. Ainda assim, senadores contrários à proposta optaram por não se manifestar.
Flávio Bolsonaro, no entanto, sequer esteve presente no plenário e não se posicionou durante a sessão.
Defesa da medida ocorreu fora do país
Meses depois, o cenário mudou.
Durante viagem aos Estados Unidos nesta semana, Flávio passou a defender publicamente a classificação das facções como terroristas. Além disso, levou o tema para reuniões com representantes do Departamento de Estado.

Após o governo americano anunciar que incluirá PCC e CV na lista de organizações terroristas estrangeiras, o senador comemorou a decisão e afirmou que se trata de um “grande dia”.
Governo brasileiro adotou posição contrária
Enquanto isso, o governo Lula se posicionou contra a medida.
A avaliação é de que a classificação pode abrir brechas para sanções internacionais e, no limite, até justificativas para ações externas em território brasileiro.
Senado já havia alertado para riscos
Durante o debate no Congresso, o relator do projeto, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), alertou para as consequências da proposta.
Segundo ele, a classificação como terrorismo não é apenas uma questão simbólica.
“A nominação como terroristas abre espaço para sanções internacionais, econômicas e militares.”
O senador também destacou que existe uma definição técnica para terrorismo, que não se aplica automaticamente a organizações criminosas, mesmo que elas provoquem terror social.
Senadores defenderam endurecimento
Apesar da rejeição, parte do Senado apoiou a proposta.
Eduardo Girão, autor da emenda, afirmou que as facções impõem terror à população. Já o senador Carlos Portinho (PL-RJ) reforçou que esses grupos utilizam violência para subjugar a sociedade.
Projeto foi aprovado sem esse trecho
Mesmo com a retirada da emenda, o PL Antifacção foi aprovado por unanimidade no Senado, inclusive com voto favorável de Flávio Bolsonaro.
Posteriormente, o texto retornou à Câmara, foi aprovado em fevereiro e sancionado pelo presidente Lula em março, sem vetos aos pontos principais.
Contradição entra no debate político
A ausência de Flávio na votação e a defesa posterior da medida no exterior passaram a alimentar críticas e questionamentos nos bastidores políticos.

De um lado, aliados destacam a coerência na defesa do endurecimento contra o crime. De outro, críticos apontam divergência entre a atuação no Brasil e no cenário internacional.
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