O diesel da Rússia ganhou peso na economia brasileira e entrou no radar de Donald Trump. Nos últimos quatro anos, o combustível respondeu por cerca de 60% das importações brasileiras, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O salto começou com a Guerra da Ucrânia e teve aval dos governos de Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), movimentando US$ 13 bilhões desde 2022.
Alerta de sanções
Na quarta-feira (6), Trump anunciou tarifa de 25% sobre combustíveis indianos, alegando que eles financiam a guerra de Vladimir Putin. O republicano avisou que a medida pode atingir outros países, inclusive o Brasil.
A pressão externa já havia sido sinalizada por líderes da Otan, o que acendeu o alerta em Brasília e no setor de combustíveis.
Como o Brasil virou dependente
O avanço começou em 2022, quando Bolsonaro buscou alternativas para conter preços antes da eleição. Ele negociou com Putin e incentivou empresas brasileiras a fechar contratos com fornecedores russos.
Até então, os EUA eram os maiores exportadores de diesel para o Brasil. As sanções contra Moscou, porém, abriram espaço para o produto russo, mais barato e disponível.

Escalada nas importações
Em 2021, a Rússia respondia por apenas 0,2% do diesel importado. Um ano depois, saltou para 58,9%.
O valor cresceu de US$ 16,9 milhões em 2021 para US$ 5,4 bilhões em 2024. Só nos primeiros sete meses deste ano, as compras já somam US$ 3 bilhões.
Continuidade no governo Lula
Lula manteve e ampliou a parceria. Evitou condenar Moscou pela guerra e reforçou o comércio dentro do Brics.
Em maio, durante visita a Putin no Dia da Vitória, destacou a importância da cooperação:
“A Rússia é um parceiro importante para nós na questão de óleo, gás e energia nuclear”, disse o presidente.
Risco imediato
O Brasil produz cerca de 70% do diesel que consome, mas depende das importações para suprir a demanda.
Caso Trump imponha tarifas, especialistas preveem alta nos preços e pressão sobre a inflação. No Congresso americano, um projeto bipartidário propõe sobretaxa de até 500% para países que comprem combustíveis russos — e pode ser votado em setembro.
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