Coluna do Jota Garcia

Tesla despenca até 60% na Europa, enquanto BYD quintuplica vendas

Arte: Elon Musk/Testa/Reprodução
Marca de Elon Musk perde força no continente europeu em meio a controvérsias políticas

As vendas da Tesla caíram drasticamente nos maiores mercados automotivos da Europa. Em julho, o recuo foi de 60% no Reino Unido e 55% na Alemanha, em comparação ao mesmo período de 2024. Em contrapartida, a chinesa BYD registrou crescimento explosivo, com aumento de quase cinco vezes nas vendas na Alemanha e mais de 300% no Reino Unido.

Queda da Tesla está ligada à rejeição a Elon Musk

Apesar do relançamento do Model Y, o desempenho da Tesla não melhorou. A marca enfrenta crescente rejeição por parte dos consumidores europeus. Um dos principais fatores apontados é o ativismo político de Elon Musk, que apoiou Donald Trump nas eleições presidenciais dos EUA e assumiu o comando do polêmico Departamento de Eficiência Governamental (Doge), responsável por demissões em massa e fechamento de agências federais.

Números preocupam a marca americana

Na Grã-Bretanha, a Tesla registrou apenas 987 veículos vendidos em julho. Já na Alemanha, foram 1.110 unidades. Em dez países europeus — que juntos representaram mais de 80% das vendas da marca no primeiro semestre de 2025 —, a queda acumulada chegou a 45%.

BYD avança com força no mercado europeu

Enquanto isso, a BYD tem ampliado sua presença na Europa. Na Alemanha, a empresa chinesa vendeu 1.126 unidades só em julho e 7.449 no acumulado do ano. No Reino Unido, os registros de novos carros da marca saltaram para 3.184 no mês, mais de quatro vezes o volume de 2024.

Reputação de Musk em queda

Um levantamento da S&P Global Mobility, obtido pela agência Reuters, mostra que a fidelidade dos clientes da Tesla nos EUA está em queda. Em junho de 2024, 73% dos proprietários que buscavam um novo carro optavam por outro modelo da marca. Porém, após Musk assumir o Doge, a taxa caiu para 49,9% em março de 2025.

Com a pressão sobre sua imagem, o bilionário deixou o governo Trump em maio. A saída, no entanto, não parece ter revertido a crise de confiança em torno da marca.