Coluna do Jota Garcia

Grupo ligado a Vorcaro é suspeito de consultar sistemas restritos da PF, MPF e Interpol diz ministro do STF

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, durante depoimento à Polícia Federal em 30 de dezembro, em Brasília - Reprodução PF

As investigações envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, avançaram para suspeitas de acesso indevido a sistemas sigilosos da Polícia Federal (PF), do Ministério Público Federal (MPF) e até de órgãos internacionais, como Interpol. O ministro André Mendonça, do STF, citou essas suspeitas em decisão que determinou a prisão do banqueiro nesta quarta-feira (4), segundo o relato do caso.

A apuração atribui as condutas a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, descrito como auxiliar do banqueiro e conhecido pelo apelido de “Sicário”. A PF também prendeu Mourão. De acordo com a investigação, ele coordenava ações para obter informações e monitorar pessoas de interesse do grupo.

O banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em vídeo do grupo Lide, durante evento em São Paulo em 2024 Foto: Reprodução/TV Live no YouTube

Segundo a decisão, Mourão “organizava e executava diligências” para identificar, localizar e acompanhar pessoas relacionadas a investigações ou críticas às atividades do grupo econômico ligado ao Banco Master. Além disso, Mendonça afirma que o investigado acessava bases restritas por meio de credenciais de terceiros, o que teria permitido a obtenção de dados protegidos por sigilo.

Ainda conforme a decisão, a autoridade policial sustenta que essa metodologia teria aberto caminho para acessos indevidos a sistemas da própria PF, do MPF e também de organismos internacionais, como FBI e Interpol.

Além do monitoramento, as investigações apontam que Mourão teria atuado para remover conteúdos de perfis e plataformas digitais. Para isso, ele teria simulado solicitações em nome de órgãos públicos, incluindo o Ministério Público, de acordo com os autos.

A reportagem afirma que não localizou a defesa de Mourão até a publicação. Já a defesa de Vorcaro declarou, em nota, que o empresário colaborou com as investigações, nega irregularidades e diz confiar no devido processo legal e no funcionamento das instituições.

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