Trabalhador vivia isolado, sem água potável e em alojamento precário dentro de uma unidade federal de conservação
Um trabalhador de 65 anos deixou uma fazenda no Pará após passar quase oito anos em condições análogas à escravidão. A propriedade fica na Estação Ecológica Terra do Meio, no município de Altamira.
Uma força-tarefa realizou o resgate em 14 de julho. A operação reuniu auditores-fiscais do Trabalho, Polícia Federal (PF), Ministério Público do Trabalho (MPT) e Defensoria Pública da União (DPU).
Devido ao isolamento da área, os agentes utilizaram um helicóptero da PF. O deslocamento a partir de Altamira durou aproximadamente duas horas.
Trabalhador vivia sozinho desde 2018
Segundo a fiscalização, o idoso permanecia sozinho na propriedade desde novembro de 2018. Durante esse período, cuidava da fazenda e dos animais.
Além disso, o trabalhador mantinha uma pista de pouso e cultivava alimentos para sobreviver. O isolamento dificultava qualquer pedido de ajuda.
Em determinado momento, ele chegou a passar aproximadamente três anos sem contato com familiares. Além disso, não possuía meios regulares de comunicação ou transporte.
O homem também apresenta deficiência auditiva severa e problemas de visão. Conforme os auditores, ele não sabe ler nem escrever.
Água com barro era armazenada em galões de óleo
A fiscalização encontrou o idoso sem acesso à água potável. Por isso, ele retirava água do Rio Pardo e a armazenava em antigos recipientes de óleo lubrificante.
Em seguida, esperava a sujeira decantar antes de consumir o líquido. Mesmo assim, a água permanecia imprópria para o consumo.
A alimentação também era insuficiente. Segundo o trabalhador, durante anos o empregador não forneceu carne bovina ou frango.
Dessa forma, o idoso dependia dos peixes que conseguia pescar e dos alimentos que cultivava. Em 2025, passou cerca de três meses sem receber mantimentos.
Barraco tinha infiltrações e banheiro inutilizado
O trabalhador morava em um barraco de madeira com estrutura deteriorada. O imóvel apresentava infiltrações, chão de terra e um banheiro sem condições de uso.
Por isso, o idoso precisava entrar no rio para tomar banho. Durante esse período, sofreu ataques de arraias e duas picadas de jararaca, conforme relatou à fiscalização.
Além disso, passava noites acordado tentando afastar morcegos que atacavam os animais da propriedade.
Em outra ocasião, sentiu fortes dores nos rins e precisou buscar ajuda sozinho. Para isso, caminhou cerca de 27 quilômetros pela mata durante um dia e meio.
As condições encontradas levaram a equipe a caracterizar o trabalho como análogo à escravidão.
Idoso recebe atendimento e indenização
Após o resgate, a força-tarefa encaminhou o trabalhador para atendimento médico. Além disso, regularizou seus documentos pessoais e garantiu acesso aos serviços de assistência social.
Os responsáveis também firmaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC). O acordo garante o pagamento das verbas trabalhistas e uma indenização por danos morais.
O idoso também terá direito ao seguro-desemprego destinado a trabalhadores resgatados. Agora, ele voltou a manter contato com a família.
Segundo os órgãos envolvidos, o trabalhador pretende morar em São Félix do Xingu, no Pará.
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