Coluna do Jota Garcia

Maria do Carmo defende rigor contra agressores, mas mantém aliança com Coronel Rosses, alvo de denúncias por violência doméstica

Imagem: Reprodução/ IA Generativa

Pré-candidata ao Governo do Amazonas defende endurecimento das políticas contra agressores, mas enfrenta questionamentos pela permanência de aliança política com o vereador Coronel Rosses.

A pré-candidata ao Governo do Amazonas, Professora Maria do Carmo (PL), passou a enfrentar questionamentos nos bastidores da política amazonense por manter uma aliança política com o vereador Coronel Rosses (PL), que já foi alvo de denúncias por violência doméstica. O tema ganhou repercussão porque, em seus discursos públicos, a professora defende o endurecimento das políticas de combate à violência contra a mulher.

Durante o evento “A importância da mulher nos espaços de poder”, promovido pelo Partido Liberal em junho deste ano, Maria do Carmo afirmou:

“Eu tenho certeza que a gente tem que endurecer as políticas públicas contra os agressores e principalmente o agressor de mulheres.”

Entretanto, a permanência de Coronel Rosses em seu grupo político tem gerado críticas, já que o vereador busca espaço nas articulações para as eleições de 2026.

O que chama atenção no cenário político?

A declaração da pré-candidata ocorre enquanto Coronel Rosses, vereador de Manaus e integrante do mesmo grupo político, possui duas denúncias registradas por sua ex-esposa, Carla Trindade, mãe de sua filha, na Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM).

Os boletins de ocorrência não equivalem a condenação criminal, mas registram denúncias formalizadas perante a Polícia Civil e deram origem aos procedimentos previstos na Lei Maria da Penha.

O que consta no boletim registrado em 2018?

O primeiro boletim de ocorrência, registrado sob o nº 18.E.0170.0005637, relata que a vítima afirmou ter sido ameaçada e ofendida verbalmente.

Imagem: Reprodução

Segundo o documento, Carla Trindade declarou que Coronel Rosses:

  • foi até sua residência;
  • teria a chamado de “vagabunda”;
  • afirmou que ela “ficaria sem a mãe”;
  • teria feito ameaças.

Além disso, o registro informa que houve:

  • pedido de medidas protetivas;
  • instauração de inquérito policial;
  • encaminhamento da vítima para atendimento psicológico e assistencial.
O que relata o boletim de 2019?

O segundo boletim, registrado sob o nº 19.E.0170.0003689, reúne duas ocorrências:

  • injúria no contexto de violência doméstica;
  • vias de fato (agressão física sem lesão corporal).

Conforme o relato constante no documento, a vítima informou que sofreu uma cotovelada e voltou a ser ofendida com palavras de baixo calão.

Após o registro, novas medidas protetivas foram solicitadas, e o caso prosseguiu com os procedimentos policiais.

Caso voltou ao debate na Câmara de Manaus

O histórico das denúncias voltou ao centro do debate político durante uma sessão da Câmara Municipal de Manaus.

Na ocasião, durante um bate-boca em plenário, o vereador Jander Lobato citou os boletins de ocorrência envolvendo Coronel Rosses.

“Então, vossa excelência está afiliado no P.L. Deus, Pátria e Família. Olha pra cá, senhor Rosses, você foi treinado pra isso, pra ser macho. (…) Eu não acho decente um vereador estar nesta Casa aqui que já bateu em mulher. Eu repudio veementemente isso.”

Em seguida, Jander também cobrou um posicionamento público da Professora Maria do Carmo.

“Eu quero ver a sua candidata, Maria do Carmo, andando abraçada com vossa excelência. E ela ser questionada, já que ela é mulher e tem que ajudar a defender mulheres.”

Após as acusações, Coronel Rosses utilizou a tribuna para apresentar sua versão dos fatos. Segundo o vereador, as denúncias tiveram origem em um conflito familiar envolvendo sua filha.

Maria do Carmo continuará apoiando Coronel Rosses?

Com a repercussão do caso, um dos principais questionamentos nos bastidores da política amazonense é se Maria do Carmo manterá ou não o apoio político ao vereador.

UFAM reage após confusão envolvendo Coronel Rosses em campus – Foto: Reprodução.

Até o momento, a pré-candidata não anunciou qualquer mudança na composição de seu grupo político nem informou se pretende rever a aliança com Coronel Rosses.

Enquanto isso, opositores apontam uma possível incoerência entre o discurso de combate à violência contra a mulher e a manutenção da parceria política com o vereador.

Contexto

A discussão ocorre em meio às articulações para as eleições de 2026 no Amazonas. A permanência de Coronel Rosses no grupo político de Maria do Carmo passou a ser explorada por adversários após a repercussão das denúncias registradas contra o vereador e das declarações públicas da pré-candidata em defesa do endurecimento das políticas de combate à violência contra a mulher. Até o momento, os boletins de ocorrência citados não resultaram em condenação criminal, e Maria do Carmo não se pronunciou publicamente sobre eventual mudança em sua aliança política com o parlamentar.

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