Por Jota Garcia
A Operação Maus Caminhos, da Polícia Federal, não só abriu gavetas empoeiradas do erário amazonense — como também escancarou um teatrinho de bastidores que até os mais acostumados com as tramas políticas do Estado custam a crer. No palco dessa tragicomédia, temos a deputada que decidiu se lançar como a “atriz principal” da política sexual-econômica local: a tal “ratazana”, que não perdeu tempo em transformar cargos, verbas e favores em moeda de troca — e em prazer.
Os autos da operação contam um enredo que daria vergonha até aos mais criativos roteiristas de novelas de segunda-feira. A tal parlamentar, que gosta de posar de defensora dos pobres e dos bons costumes, resolveu que a melhor forma de “negociar” pagamentos para a clínica oftalmológica do seu então “bofe” era fazer acordos que envolviam muito mais do que recibos e cheques. E aí, não faltaram os tradicionais 30 terços — aqueles mesmos que já aparecem em tantas outras histórias de benesses eleitorais e “obras políticas” por aqui — para selar o trato.
Dizem os relatos que o seu “naromante” de plantão aceitou de bom grado a proposta da ratazana. Mas convenhamos: encarar um “mangote 26×8” em troca de benefícios não é coisa para qualquer ratinha de esgoto. É preciso ter uma cara de pau que desafia a gravidade, e uma disposição para “servir” ao interesse alheio — ou melhor, ao interesse próprio — que beira o heroísmo da desonestidade.
E quem bancou toda essa “orgia sexual-econômica”? Segundo a PF, o próprio anfitrião do tal médico turco — um laranja de peso da rede dos chamados “turcos santos”, que há muito circulam pelos corredores do poder no Amazonas como se fossem donos de cada centavo público. Nada de dinheiro vindo do bolso próprio: tudo saiu direto do bolso do contribuinte, que hoje paga caro por mais um escândalo que não vê fim.
Agora, passado o “prazer” e o lucro fácil, vem a parte cômica — e triste — da história. A ratazana, que antes fazia exigências e ditava as regras, hoje não passa de uma toalha usada em rodoviária: jogada de lado, sem prestígio, sem argumentos. O que lhe restou? Pegar a “pepa” e sair por aí espalhando merda por Manaus, carregada de ódio contra quem não cai no seu jogo sujo. Tudo para tentar desviar o foco do que realmente importa: os desvios, os acordos ilícitos e o uso vergonhoso do cargo público.
E o ratão, o secretário que cuidava do erário como se fosse sua própria toca? Espera sentado — e com a consciência pesada — pela punição que, como sempre, parece demorar mais do que uma campanha eleitoral. A sensação que fica é a de que, no Amazonas, os maus caminhos são sempre os preferidos de quem entra na política para roubar e se aproveitar. E a gente fica aqui, assistindo a mais um episódio dessa série sem fim, esperando que um dia a justiça não seja só uma palavra bonita nos discursos — mas sim a verdadeira presa que pega tanto a rata quanto o ratão.
Artigo com tom satírico e debochado, baseado nas informações apontadas pela investigação em curso — lembrando que todos os ratos acusados têm direito à ampla defesa até que haja decisão judicial final.






