Coluna do Jota Garcia

Gasolina sobe R$ 0,30 da noite para o dia e revolta motoristas em Manaus

Foto: Divulgação
Litro passou de cerca de R$ 6,99 para até R$ 7,29 em postos da capital; aumento ocorreu sem reajuste anunciado pela Ream

Manaus – Motoristas foram surpreendidos nesta quarta-feira (8) com um novo aumento no preço da gasolina em Manaus.

O litro, que até então era vendido por cerca de R$ 6,99, passou a custar até R$ 7,29 em diversos postos da capital amazonense.

O reajuste de R$ 0,30 ocorreu de um dia para o outro e chamou a atenção dos consumidores.

Além disso, o aumento gerou revolta porque não houve anúncio de reajuste por parte da Refinaria da Amazônia (Ream).

Consumidores questionam aumento

O reajuste foi classificado como “criminoso” por críticos da elevação nos preços.

Consumidores amazonenses afirmam que o aumento não teria justificativa clara e cobram fiscalização.

A principal suspeita é que o reajuste não tenha relação direta com o custo de aquisição do combustível.

Por isso, representantes e consumidores pedem que órgãos públicos verifiquem notas fiscais de compra dos postos.

A fiscalização deve apontar se houve aumento real no preço repassado pelas distribuidoras ou se a elevação ocorreu apenas na revenda ao consumidor.

Preço do petróleo entrou no debate

As denúncias também questionam se o preço internacional do petróleo justificaria o aumento.

Segundo os questionamentos apresentados, a resposta seria negativa.

O argumento é que, após um período de alta causado por tensões no mercado internacional, a cotação do barril de petróleo recuou para cerca de US$ 80.

Nesse cenário, críticos afirmam que não haveria justificativa para um aumento de R$ 0,30 no preço da gasolina em Manaus.

Rodrigo Guedes critica reajuste

O vereador Rodrigo Guedes (Republicanos) publicou um vídeo nas redes sociais criticando o aumento da gasolina.

Segundo ele, o consumidor não pode arcar com um reajuste sem explicação.

“O consumidor não pode pagar uma conta que não existe. Se não houve reajuste na refinaria, não há motivo para um aumento de 30 centavos da noite para o dia. Isso é um assalto em plena luz do dia, sem nenhuma explicação, e isso precisa ser investigado, urgente. Eu mesmo farei essa investigação em todos os postos”, declarou.

Vereador acusa setor de prejudicar consumidores

Rodrigo Guedes também afirmou que postos de combustíveis, distribuidoras e a refinaria estariam “roubando” os consumidores amazonenses com a elevação do preço.

A declaração foi feita no contexto das críticas ao reajuste registrado na capital.

Além disso, o parlamentar cobrou investigação dos órgãos competentes para apurar a formação dos preços.

Para ele, a elevação repentina precisa ser analisada com urgência.

Órgãos foram acionados

Representações foram encaminhadas para que diferentes órgãos públicos analisem o aumento da gasolina em Manaus.

Entre eles estão:

  • Polícia Federal (PF);
  • Ministério Público Federal (MPF);
  • Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM);
  • Procon Amazonas;
  • Defensoria Pública;

Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Esses órgãos poderão apurar se houve eventual prática abusiva na formação dos preços.

Caso identifiquem irregularidades, poderão adotar as medidas cabíveis.

Consumidores podem reunir provas

Consumidores que identificarem preços considerados abusivos podem adotar algumas medidas.

Entre elas estão solicitar a nota fiscal do abastecimento e registrar fotos dos valores praticados.

Além disso, o consumidor pode formalizar denúncia junto aos órgãos de defesa do consumidor.

Também pode informar diferenças de preços entre postos da mesma região.

Essas informações ajudam os órgãos fiscalizadores a comparar valores e verificar possíveis práticas irregulares.

Manaus convive com gasolina cara

A gasolina em Manaus figura frequentemente entre as mais caras do Brasil.

O litro costuma oscilar nos postos e pesa diretamente no orçamento dos motoristas.

Além disso, a dependência regional do Grupo Atem aparece no centro das críticas sobre o controle de preços na região.

O grupo adquiriu a antiga Refinaria Isaac Sabbá, atual Refinaria da Amazônia, da Petrobras durante o governo Bolsonaro.

Hoje, a empresa atua como importadora e principal distribuidora no mercado regional.

Ream passou a atuar como terminal logístico

Após a compra da refinaria, em 2022, a Ream passou a atuar predominantemente como terminal logístico.

Segundo críticos do modelo, a empresa prioriza a importação de derivados em vez do refino integral do petróleo.

Com isso, o consumidor local fica mais exposto às oscilações do dólar e do mercado internacional.

Esse ponto reforça as críticas sobre a vulnerabilidade do mercado de combustíveis no Amazonas.

Concorrência limitada é alvo de críticas

Órgãos como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e o Sindipetro-AM já apontaram concentração no mercado de distribuição no estado.

Segundo essas avaliações, o Grupo Atem detém grande parte do mercado de distribuição no Amazonas.

Esse domínio limitaria a concorrência e contribuiria para manter elevadas as margens de lucro dos postos.

Por isso, o novo aumento reacende o debate sobre fiscalização, transparência e competição no setor de combustíveis em Manaus.

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