Coluna do Jota Garcia

Oficina mecânica alvo de operação da PF em Manaus pertence ao dono do Barollo

Imagem: Reprodução
Operação Reduto mira suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e “rachadinha” em Rondônia

Manaus – A Polícia Federal (PF), com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público de Rondônia (MPRO), deflagrou nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira (9) a Operação Reduto.

A ação busca desarticular um esquema suspeito de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e “rachadinha” no estado de Rondônia.

Em Manaus, um dos principais alvos é uma empresa ligada ao empresário Ivair Ferreira, conhecido por ser sócio do restaurante Barollo.

Diligências ocorreram em Manaus

Na capital amazonense, as diligências ocorreram em condomínios de luxo na Ponta Negra e em uma “oficina mecânica” localizada na Rua Pensador, nº 115, no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul.

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No pátio do estabelecimento, agentes federais encontraram diversas ambulâncias e ônibus estacionados.

A presença dos veículos chamou a atenção durante o cumprimento dos mandados.

Endereço abriga empresa de locação

De acordo com o cruzamento de dados do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e do Quadro de Sócios e Administradores (QSA) da Receita Federal, o endereço no bairro Adrianópolis é a sede da Millennium Locadora Ltda.

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A empresa está registrada sob o CNPJ nº 03.422.390/0001-86.

A Millennium possui capital social de R$ 30,6 milhões.

O empresário Ivair Ferreira aparece como sócio-administrador da firma.

Empresa atua com remoção de pacientes

A atividade econômica principal da Millennium Locadora envolve serviços de remoção de pacientes.

No bairro Adrianópolis, uma oficina mecânica que mantém diversas ambulâncias e ônibus em seu pátio também é alvo das diligências da Polícia Federal. Foto: Reprodução

Esse ramo ajuda a explicar a presença de ambulâncias no local alvo da operação em Manaus.

Além disso, a empresa possui filiais ativas em Porto Velho, em Rondônia, e em Palmas, no Tocantins.

Investigação começou em 2024

As investigações da Polícia Federal começaram ainda em 2024.

Segundo a PF, os trabalhos avançaram a partir de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) emitidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Os documentos apontaram movimentações financeiras atípicas e suspeitas envolvendo a empresa sediada em Manaus.

A firma mantinha contratos milionários com o poder público no estado de Rondônia.

PF aponta movimentações superiores a R$ 9 milhões

Os investigadores identificaram movimentações superiores a R$ 9 milhões.

De acordo com a Polícia Federal, os valores seriam incompatíveis com a renda declarada pelos suspeitos.

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A apuração também mira a possível lavagem de dinheiro ligada aos contratos públicos investigados.

Além disso, a PF apura se a estrutura empresarial teria servido para movimentar recursos de origem ilícita.

Esquema teria duas frentes

Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa atuava em duas frentes distintas.

A primeira envolve suspeitas de fraudes em licitações.

Nesse eixo, os investigadores apuram possível direcionamento de certames e contratos públicos no município de Ariquemes, em Rondônia.

A segunda frente envolve suspeita de “rachadinha”.

Nesse ponto, a PF apura um esquema de desvio de salários de servidores comissionados nomeados na Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO).

Justiça expediu 19 mandados de busca

Ao todo, a Justiça expediu 19 mandados de busca e apreensão nos estados do Amazonas e de Rondônia.

Registros públicos apontam Ivair Ferreira como sócio-administrador da Millennium Locadora Reprodução/Redes Sociais

Dois mandados foram cumpridos em Manaus.

Outros oito ocorreram em Porto Velho.

Além disso, nove mandados foram cumpridos em Ariquemes.

A Justiça também expediu dois mandados de prisão preventiva, ambos em Ariquemes.

Servidores foram afastados

A decisão judicial determinou ainda o afastamento imediato de 11 servidores públicos de suas funções.

Além disso, a Justiça autorizou o bloqueio de bens, ativos financeiros e criptoativos dos investigados.

O bloqueio vale até o limite de R$ 9 milhões.

Segundo a investigação, a medida busca garantir eventual reparação aos cofres públicos caso as suspeitas se confirmem.

PF e CGU seguem nas ruas

Até o momento da publicação desta reportagem, a Polícia Federal e a CGU continuavam nas ruas cumprindo os mandados da Operação Reduto.

As diligências ocorrem em endereços ligados aos investigados nos dois estados.

A operação ainda deve ter novos detalhes divulgados pelas autoridades ao longo do dia.

Defesa ainda não se manifestou

Até a publicação, a defesa do empresário Ivair Ferreira e das empresas citadas ainda não havia se manifestado oficialmente sobre as acusações.

A investigação segue em andamento.

Portanto, os citados não podem ser considerados culpados antes da conclusão das apurações e de eventual decisão judicial.

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