Por Jota Garcia
A esquerda no Amazonas vive hoje o que se pode chamar, sem exagero, de um apagão político. Inexistente em conteúdo, discurso ou representatividade real, seus poucos nomes em cargos públicos não apenas ignoram os princípios da ideologia que dizem representar, como também se valem da estrutura estatal para fins pessoais — ou, no mínimo, pouco republicanos.
Na Assembleia Legislativa do Amazonas, o único representante “de esquerda” serve mais a seus próprios interesses do que à coletividade. Defende cargos, acomoda familiares e é citado em investigações da Polícia Federal — nada diferente do que se vê em muitos quadros da velha política que fingem combate.
Como se não bastasse, o cenário ganhou um novo personagem tragicômico: um ex-deputado federal, outrora expoente da extrema-direita, agora tenta renascer politicamente encostando-se nos escombros do que sobrou da esquerda amazonense. E faz isso sem o menor constrangimento. Mesmo depois de jurar que jamais pisaria nesse campo ideológico, volta agora como se nunca tivesse se banquetado com os frutos do bolsonarismo.
O retorno tem cheiro de oportunismo e gosto de desespero. O político, derrotado nas urnas, tenta colar-se ao senador que ainda resiste como figura de influência. Quer ser senador, mas sua densidade política hoje não o elege nem vereador em Manaus. A dúvida que paira é: será que o senador queimará vela com defunto ruim?
A verdade é que a esquerda no Amazonas está à deriva. Sem propostas, sem organização e sem vozes confiáveis, assiste seus quadros se desmoralizarem em troca de carguinhos e tapinhas nas costas. O povo, por sua vez, segue órfão de um projeto político alternativo e coerente.
Se a esquerda quiser sair da irrelevância, terá que passar primeiro por uma depuração profunda. Caso contrário, continuará sendo apenas o novo abrigo dos que caíram em desgraça no campo oposto.






